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Notícias | Ser Educação Empreendedorismo

Como as escolas podem despertar nos jovens o espírito empreendedor

Dois empresários da região relatam como impulsionaram suas carreiras a partir do suporte recebido nas escolas por onde passaram. Além deles, especialista fala sobre como estimular perfis empreendedores nas instituições de ensino – uma tendência que também é um dos pilares do projeto Ser Educação, do Grupo Sinos

Por Marcelo Kenne Vicente
Publicado em: 30.04.2022 às 10:04 Última atualização: 10.05.2022 às 08:48

É fato. Aquela antiga recomendação dada às crianças de que deveriam estudar muito “para conseguirem um bom emprego” sofreu adaptações ao longo dos anos e, atualmente, é somada à dica de que é preciso estudar “para empreender e montar o próprio negócio”. Isso porque as novas relações de trabalho, as demandas de mercado e as tecnologias avançadas geram incertezas sobre como será o emprego e as carreiras profissionais no futuro.

Aula do curso de Técnico em Calçados, do Instituto Senai de Tecnologia em Calçados
Aula do curso de Técnico em Calçados, do Instituto Senai de Tecnologia em Calçados Foto: Divulgação
Mas como fica o papel das escolas neste cenário? Conforme o empresário Gustavo Freitas, 46 anos, para se tornar um empreendedor de sucesso tudo começa, inevitavelmente, com o conhecimento de qualidade obtido na educação formal e técnica. Ele é sócio-fundador da Tecnodrill Engenharia de Soluções, de Novo Hamburgo, e conta que tudo começou quando era aluno da Fundação Liberato, onde se formou em Técnico em Mecânica, nos anos 1990. Gustavo também possui graduação em Engenharia e doutorado pela Ufrgs e, no período de Liberato, ele e seus sócios na Tecnodrill, Jefferson da Costa e Luciano Schmidt, apresentaram na Mostratec – Feira de Ciências da Liberato – o projeto “Furadeiras de Placas de Circuito Impresso CNC”, que foi premiado e reconhecido até mesmo internacionalmente. Foi daí que surgiu a Tecnodrill, especializada na fabricação de máquinas e ferramentas usadas por empresas e também, veja só, por laboratórios de instituições de ensino.

A empresa criada por Gustavo Freitas e sócios nasceu a partir de um projeto na escola
A empresa criada por Gustavo Freitas e sócios nasceu a partir de um projeto na escola Foto: Divulgação
Segundo Gustavo, quando se fala em aprendizado não deve ser considerado somente o técnico, mas o que engloba uma formação mais abrangente. Ele cita a Liberato como uma escola que está alinhada a esse modelo de ensino e destaca o apoio dos antigos professores. “Tiveram muita influência em minha decisão de carreira. Eram grandes incentivadores do empreendedorismo e sempre orientavam os alunos a inovarem”, lembra.

Outro empresário da região, Silvio César Correa, 48 anos, também amadureceu sua visão empreendedora durante os estudos. Ele se formou em Técnico em Calçados, pelo Instituto Senai de Tecnologia em Calçados, de Novo Hamburgo, em 1991, e depois fez Engenharia de Produção, sendo parte na Feevale. Hoje, Silvio é CEO da Easypro Tecnologia, localizada no Techpark Feevale, em Campo Bom. A empresa, criada por ele em 2013, desenvolve softwares voltados à produtividade, eficiência e qualidade.

Silvio César Correa amadureceu seu perfil empreendedor desde o Senai
Silvio César Correa amadureceu seu perfil empreendedor desde o Senai Foto: Divulgação
Desde as aulas no Senai, com 14 anos de idade, Silvio sentiu que seu caminho profissional poderia unir a prática, com conhecimentos sobre projetos, planejamento e gestão. “Tinha facilidade com as disciplinas que envolviam cálculo de capacidade produtiva, layout e outros itens. Era algo que me chamava bastante a atenção. Além disso, contei com professores muito inspiradores”, recorda. O empresário explica que o ambiente escolar contribuiu para desenvolver aspectos relevantes para uma vida empreendedora, como ter a habilidade de lidar com problemas e solucioná-los. Como sugestão às escolas, Silvio fala em possibilitar aos estudantes conhecerem as rotinas profissionais: “É ótimo aproximar as escolas das empresas.’’

Encorajamento nas escolas à iniciativa e à criatividade

A professora da Universidade Feevale Claudia Schmitt afirma que ser empreendedor é ter uma forma diferenciada de agir, independentemente se for abrir um negócio ou trabalhar na empresa de outra pessoa (no caso, como ela define: ser intraempreendedor). “Todos podemos desenvolver esse comportamento, mas tudo passa em sermos estimulados, principalmente com exemplos”, comenta a especialista, que atua na docência na Feevale, em projetos de extensão voltados ao empreendedorismo e em consultoria empresarial.

Claudia diz que todos podem se tornar empreendedores
Claudia diz que todos podem se tornar empreendedores Foto: Divulgação
Para Claudia, as escolas – desde o ensino fundamental – devem incentivar o empreendedorismo com atividades no dia a dia que desenvolvam comportamentos e conhecimentos, como iniciativa, criatividade, planejamento, resiliência para enfrentar frustrações, empatia e respeito às pessoas, desinibição para falar em público e poder de persuasão. “É interessante, por exemplo, levar para a sala de aula pessoas, vinculadas a empresas ou donas do próprio negócio, para contarem suas experiências profissionais aos estudantes.”

Mudanças no mundo do trabalho não param

Atualmente, explica Claudia, percebe-se um processo de mudança no mundo do trabalho, acelerado por causa da pandemia, e que deve ser potencializado nos próximos anos. Para ela, no futuro as pessoas poderão trabalhar em atividades que nem existem em nosso tempo. “Também estamos acompanhando pessoas, com idade acima de 40 anos, que passam por uma transição de carreira, visto que a expectativa de vida aumentou muito e percebe-se que elas estão empreendendo ou buscando uma atividade que tenham mais afinidade”, observa a pesquisadora. Por isso, quem deseja se manter atualizado não pode se restringir aos conhecimentos específicos de uma profissão, mas ter experiências em diferentes áreas para que consiga acompanhar as mudanças de mercado.

Ainda, a professora enfatiza a importância de desenvolver uma cultura empreendedora entre os jovens por causa dos benefícios trazidos, ali na frente, à sociedade: “Além da geração de empregos, renda, impostos e desenvolvimento da comunidade, estaremos estimulando os alunos a resolverem problemas urgentes, como os ambientais e de saúde pública”.

Para aprender a empreender

Em seus mais de 20 anos de experiência com projetos dessa natureza, a professora diz já ter acompanhado bons negócios fecharem por falta de gestão e viu ideias pouco promissoras serem transformadas por pessoas com perfil de empresário. Ela cita pontos a serem trabalhados por novos empreendedores e também pelas escolas com os alunos:

Objetivo: Para iniciar um projeto, a pessoa precisa saber responder qual é o problema que o produto ou serviço vai resolver, qual o tamanho do mercado, qual a tecnologia necessária e o tempo de desenvolvimento, se tem recursos próprios ou se terá que buscar algum investidor.

Autoconhecimento: Como a frase atribuída ao filósofo grego Sócrates, é preciso “conhecer a ti mesmo”. Quais são os seus pontos fortes e os pontos a melhorar? É fundamental ter consciência que não se sabe tudo e que trabalhar sozinho é um grande desafio. O apoio de outras pessoas é necessário.

Gestão e paixão: Outro fator relevante para o sucesso é possuir conhecimentos em gestão e paixão pelo caminho escolhido. Isso independente de entender de forma aprofundada a tecnologia, o produto ou serviço a ser prestado.

Persistência: É uma competência essencial no empreendedorismo. Não é permitido se acomodar, pois o mercado muda muito rápido. Nada é estático, tudo está em movimento.

Paciência: O sucesso de um projeto não acontece de um dia para o outro, por isso o melhor é ser paciente, sem deixar de lado, claro, o planejamento e as ações cabíveis.

SOBRE O SER EDUCAÇÃO 2022

Realização
Grupo Sinos

Patrocínio master
Prefeitura de Nova Santa Rita
Prefeitura de Novo Hamburgo
Usaflex
Colégio Sinodal
Sesi
Senai
Fundação Liberato
Fundação Escola Superior do Ministério Público

Apoio
Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac
Colégio Sinodal da Paz
Universidade Feevale
Apoio institucional
OAB São Leopoldo

Quer que sua empresa ou instituição se junte à iniciativa? Entre em contato com o Grupo Sinos pelo telefone (51) 3553-2010.

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