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Notícias | Região SÉRIE ECONOMIA CIRCULAR

Campanha 'Meu Plástico Vale Estrelas' incentiva reciclagem entre jovens de Bom Princípio

Além de contribuir para o meio ambiente, coleta de plástico por estudantes retorna em investimento para escolas

Por Débora Ertel
Publicado em: 25.06.2022 às 08:00 Última atualização: 27.06.2022 às 12:13

O plástico é apontado com um dos vilões do meio ambiente, responsável por poluir os oceanos, entupir tubulações e piorar a situação dos alagamentos nos grandes centros urbanos. Neste ano, inclusive, pesquisadores encontraram microplásticos até na corrente sanguínea de humanos.

Laura Haupt Hauser, 10, Sofia Hermann de Quadros, 9, e Gustavo Freiberger, 10
Laura Haupt Hauser, 10, Sofia Hermann de Quadros, 9, e Gustavo Freiberger, 10 Foto: Débora Ertel/GES-Especial
O problema é tão sério que 175 países assinaram uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) em março deste ano, para um acordo contra poluição causada por plásticos. A expectativa é que o tratado seja apresentado até o fim de 2024, com o estabelecimento de metas e planos a fim de encontrar uma solução em comum.

A segunda reportagem da série Economia Circular vai falar sobre a circularidade do plástico e o papel social de projetos nas escolas.

Na Escola Municipal 12 de Maio, de Bom Princípio, no Vale do Caí, o plástico é disputado, vale estrelas e a turma que mais acumula, mais brilhante fica. Quem explica isso é a coordenadora pedagógica Sabrina Lermen. O colégio participa do Projeto Escola Sustentável, iniciativa de educação ambiental da Plastiweber, empresa de Feliz que trabalha com 100% de plástico reciclado pós-consumo, referência no Brasil. O projeto envolve 50 escolas de 15 cidades, sendo a maioria no Vale do Caí e região Metropolitana.

Por cada quilograma de plástico pós-consumo, a empresa dá às escolas um retorno econômico, para a promoção de melhorias e compra de materiais necessários. Para estimular a participação dos alunos, a escola criou a campanha "Meu Plástico Vale Estrelas", que funciona da seguinte maneira: cada sacola de plástico depositada na bag que fica no pátio da instituição conta uma estrelinha para a turma. A contagem é feita logo na chegada, antes do início da aula, acompanhada de perto pelos estudantes.

"É algo tão simples, mas que as crianças adoram", diz. A cada trimestre, conta-se quantas estrelinhas cada turma tem. Aquela que conquistar o maior número recebe um mimo, normalmente uma guloseima, como um bombom ou pirulito. O empenho dos alunos em ganhar estrelinhas e também ajudar a escola é tanto que algumas mães chegam a reclamar com as professoras, como relata a diretora Joice Xavier. "Uma me ligou e disse que ficou sem sacolinha em casa porque o filho trouxe tudo para a escola", diverte-se. Também há quem ligue já no começo do ano querendo saber quando vai iniciar a coleta porque estão com os depósitos de casa lotados de plástico, que sempre deve ser limpo, próprio para ser reciclado.

info plástico
info plástico Foto: Alan Machado/GES

Mais iniciativas

Conforme a diretora da escola 12 de Maio, faz seis anos que a instituição participa das ações de educação ambiental da Plastiweber, o que estimulou a escola a buscar novas parcerias.

Assim, o colégio ainda coleta tampinhas, que são levadas para a Plastupan, em Tupandi, e EPS, popular isopor, vendido para a Fibraform, sediada em Bom Princípio.

No caso das tampinhas, os estudantes fazem uma visita à indústria e acompanham todo o processo, desde a moagem até a injeção do plástico.

A escola conta também com composteira para os resíduos orgânicos da merenda. O espírito de cuidado com meio ambiente e o princípio da economia circular é tão presente na rotina que alunos do 9º ano, por meio de um projeto de pesquisa, firmaram parceria, por iniciativa própria, com uma farmácia.

Os estudantes serão os responsáveis por coletar remédios vencidos e também os blisters, a embalagem dos comprimidos. Também surgiu do 9º ano a ideia de montar uma campanha exclusiva para os alunos dos anos finais colaborarem de maneira efetiva com a coleta de plásticos, já que essa prática tem mais força entre os estudantes menores. "Dá trabalho mobilizar a escola para um projeto como esse. É preciso abrir mão de outras coisas. Mas isso já faz parte da nossa cultura, não se volta mais atrás", conclui Joice.

Diretora Joice Xavier e coordenadora pedagógica Sabrina Lermen com o placar das estrelinhas de cada trimestre
Diretora Joice Xavier e coordenadora pedagógica Sabrina Lermen com o placar das estrelinhas de cada trimestre Foto: Débora Ertel/GES-Especial

Parceria da família faz diferença

Aliás, as educadoras garantem que o projeto só tem sucesso porque as famílias são engajadas. Quando a reportagem visitou a escola, Gustavo Freiberger, aluno do 4º ano, havia depositado a sua sacola cheia de plásticos maleáveis na bag. "Eu faço isso porque quero ajudar a escola. Eu mesmo separo os sacos onde fica a comida dos bichos e os plásticos das verduras", conta.

O pai do menino, Jocelito Freiberger, 50, é acionado pela direção do colégio toda a vez que o recipiente está cheio. É ele que leva os materiais coletados até a Plastiweber para pesagem. Voluntariamente, ele utiliza seu caminhão para fazer o transporte. Já Gustavo, lembra de um detalhe importante que o motiva a participar da mobilização. "Eu também gosto das estrelinhas", garante.

Sofia Hermann de Quadros, 9, colega de Gustavo, conta com a ajuda da mãe para coletar os plásticos. "Eu sei que quando a gente traz para a escola também ajuda o meio ambiente, pois o plástico não vai parar nos lagos e rios", ensina.

Os dois são da turma 42 e o grupo está empenhado em ficar no primeiro lugar de entrega de sacolinhas, já que no ano passado conseguiu a quinta colocação.

Os vencedores foram a turma 52, que está empenhada em não perder o título. "Eu e o meu pai separamos o material. Eu ajudo desde o ano passado", conta a estudante Maria Eduarda Steffen, 11.

Segundo as professoras, o quadro das estrelinhas é permanentemente "fiscalizado" pelos alunos, pois assim as crianças sabem o quanto precisam se empenhar.

Turma 52 foi a vencedora do primeiro trimestre com mais estrelinhas
Turma 52 foi a vencedora do primeiro trimestre com mais estrelinhas Foto: Débora Ertel/GES-Especial

Potencial social do plástico é realidade

Diretor da Plastiweber, Moises Weber é conhecido em todo o Brasil e também no mundo por incentivar e também colocar em prática os princípios da economia circular. A empresa é apontada como a mais inovadora produtora de embalagens flexíveis recicladas para aplicações de alto desempenho técnico do País.

Segundo Weber, faz 22 anos que a empresa de Feliz aposta na reciclagem de flexíveis, mesmo o plástico sendo o "calcanhar de Aquiles" do setor. São embalagens, em especial, para o ramo alimentício, incluindo multinacionais. "Mas o que a gente foi descobrindo durante estes processos é o papel social do plástico na geração de inclusão social. Tem um grande potencial de distribuir renda", destaca.

Por meio da Cooperativa Mais Circular, a empresa trabalha com quatro instituições: a Cooprevive (Sapucaia do Sul), Cooperativa Paz & Bem (Caxias do Sul), Coopernatureza (SP) e Cooperativa Tesouro Perdido (Sapiranga). Ao todo, são cerca de 280 cooperados que coletam uma média de 270 toneladas de plástico ao ano - número que corresponde a 3% do total de material processado pela empresa hoje.

De acordo com Weber, um catador que tinha uma renda média de R$ 1,1 mil pode ultrapassar os R$ 2,5 mil depois de conhecer os processos, receber treinamentos e a unidade de triagem passar por melhorias. "Assim se salva mais plástico e melhora a vida de centenas de famílias", ressalta. O empresário lembra que para as cooperativas o maior potencial de renda está no plástico em razão do volume, encontrado em maior quantidade que o alumínio, por exemplo.

Por meio do Escola Sustentável, Weber comenta que se estimula a mudança de hábito e a conscientização sobre a necessidade de dar um novo destino aos resíduos. "Até pouco tempo se jogava lixo no chão. Então hoje já está muito melhor, embora se tenha muito para evoluir ainda", diz.

Regulamentação da Política Nacional de Resíduos

Criada em 2010, a lei 12.305 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi regulamentada somente em 2022. O Decreto Presidencial nº 10.936 tem o objetivo de tornar mais eficiente a gestão do lixo no Brasil.

Dentre as novidades está o Programa Nacional de Logística Reversa. Dessa maneira, todos os setores da economia devem inserir dados e resultados em uma plataforma unificada. Com isso, todos terão acesso às informações para compreender como funciona a logística reversa no País.

Hoje, os dados ficam separados por setor e tipo de produto, o que dificulta a vida de quem deseja dar um destino correto ao resíduo, seja um cidadão comum ou empresário. Esse programa não contempla apenas o plástico, mas todos os produtos utilizados como matéria-prima.

O decreto também criou o Programa Coleta Seletiva Cidadã, que vai permitir, de forma mais simplificada, a destinação de materiais recicláveis gerados pela administração pública federal para inúmeras cooperativas e associações de catadores.

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