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Notícias | Região EFEITO CASCATA

Entenda como o reajuste de 40 centavos no diesel vai impactar nos alimentos, fretes e ônibus

Aumento de 8,9% no litro do combustível vai pressionar ainda mais a inflação em produtos e serviços, alertam economistas

Por Ermilo Drews*
Publicado em: 10.05.2022 às 03:00 Última atualização: 10.05.2022 às 09:22

O reajuste de 40 centavos do litro do diesel nas refinarias vai provocar um efeito em cascata em produtos e serviços do dia a dia do brasileiro, pressionando ainda mais a inflação. É o que alertam economistas e representantes de setores produtivos.

Valor do litro em Novo Hamburgo se aproxima ao da gasolina
Valor do litro em Novo Hamburgo se aproxima ao da gasolina Foto: Carla Fogaça/GES-Especial

A partir de hoje, o preço médio da venda de diesel para as distribuidoras passará de R$ 4,51 para R$ 4,91. Nas bombas, o aumento deve chegar já a partir de hoje, devendo ficar na faixa entre 30 e 40 centavos por litro, de acordo com projeção feita nos próprios postos de Novo Hamburgo.

Professor da Universidade Feevale e economista, José Antônio Ribeiro de Moura lembra que o aumento no valor do diesel nunca afeta somente motoristas. "Impacta nos fretes, produtos de modo geral. Afeta serviços como transporte público, pressiona o preço dos alimentos, já que aumenta o custo de produção e de escoamento", resume.

Pressão nos alimentos

Presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo adianta que o impacto nas gôndolas será proporcional ao reajuste do frete, que representa, em média, 3% do custo dos produtos nas prateleiras. Mas no caso dos alimentos, o diesel afeta ainda mais, já que o combustível é usado em máquinas e equipamentos.

"Somos altamente produtivos hoje por conta da tecnologia embarcada em máquinas, que precisam de energia ou óleo diesel. Quando aumenta o valor do combustível, isso onera todas as fases de produção de alimentos, desde o preparo do solo, plantio, colheita, armazenagem até chegar no escoamento", observa o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz.

Inflação

A situação deve inflacionar ainda mais o preço da comida, que já se encontra nas alturas. Pesquisa divulgada na última sexta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que o valor da cesta básica no mês de abril em Porto Alegre ficou em R$ 780,86, uma variação de 6,34% em relação a março e de 24,72% no acumulado de 12 meses.

O novo reajuste no diesel deve pressionar ainda mais os preços, comprometendo o poder de compra do trabalhador. Atualmente, os produtos da cesta básica vendidos na capital dos gaúchos custam quase 70% do valor do salário mínimo.

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