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Notícias | Região Pesquisa

Ilha dos Lobos, no litoral do Rio Grande do Sul, é um refúgio de vida silvestre

Mais importante local de descanso de leões-marinhos e lobos-marinhos da costa é destaque em estudo

Por Alecs Dall'Olmo
Publicado em: 10.04.2021 às 07:00 Última atualização: 10.04.2021 às 13:27

Estudo para ajudar a compreender quando e onde os mamíferos aquáticos utilizam o local e auxiliar no Plano de Manejo Foto: Paulo Andre Flores/ICMBio/Instituto Australis/Divulgação
Quem circula pelo litoral gaúcho já deve ter ouvido falar da Ilha dos Lobos, em Torres. O espaço representa o mais importante local de descanso de leões-marinhos e lobos-marinhos da costa brasileira. E um estudo inédito publicado no final do pandêmico 2020, na prestigiada revista científica internacional Scientific Reports, apresenta em detalhe a ocorrência e ocupação desta unidade de conservação.

Larissa Rosa de Oliveira, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Biologia, da Unisinos, e umas das coordenadoras do projeto de pesquisa do refúgio da vida silvestre em Torres, juntamente com Maurício Veronez, também da Unisinos, destaca que o estudo faz parte da dissertação de mestrado da aluna Natália Procksch da Silveira, do PPG em Biologia da Unisinos e conta com a colaboração de diversas outras instituições do Brasil, Argentina e Chile.

Biodiversidade

Com base em censos aéreos realizados ao longo de quase uma década, Larissa observou a ocorrência de três espécies de pinípedes na ilha. De acordo com os dados, a maior ocorrência dos animais foi observada na porção norte da ilha, havendo um predomínio nos meses de inverno e primavera de machos subadultos de leão-marinho-sul-americano (Otaria flavescens), seguidos de filhotes e juvenis de lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis), além da presença pontual de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leoninaque).

Eles lembram ainda que o estudo visa a elaboração de outros produtos que contam com o auxílio de ferramentas inovadoras nas áreas Geoinformática, Visão Computacional e Realidade Virtual. Com o uso dessas ferramentas, está sendo possível reconstruir o relevo da ilha em modelos tridimensionais de alta resolução, o que permitirá compreender o uso pela biodiversidade local e definir os locais mais sensíveis da ilha.

Para Natália, o estudo permite compreender de maneira clara quando e onde os pinípedes utilizam a ilha. "Nossos resultados podem auxiliar o futuro Plano de Manejo desta Unidade de Conservação, considerando que toda a área está sujeita à atividades antropogênicas como turismo e pesca. Como resultado do nosso estudo, em casos de atividades autorizadas pela Unidade de Conservação, como desembarque para pesquisa científica ou lazer no entorno da Ilha dos Lobos, sugerimos que estas atividades ocorram preferencialmente no verão, época em que os pinípedes estão ausentes ou em menor número. Nos meses de inverno e primavera, as atividades de turismo devem ser regulamentadas e encorajadas, e que acompanhadas pela educação ambiental podem gerar resultados positivos para a conservação das espécies." Na avaliação dela, os resultados encontrados podem nortear o delineamento das atividades pelos gestores desta Unidade de Conservação, considerando que o Plano de Manejo ainda está em processo de elaboração.

Iniciação Científica para traçar o caminho de estudos da ilha

Proposta é seguir com a pesquisa, ampliando conhecimentos e preservando as espécies Foto: Natalia Berchieri/GEMARS/Divulgação
Natália ingressou na faculdade com 17 anos, no curso de Geologia da Unisinos. "Acabei trocando de curso após dois semestres. E encontrei na Biologia o caminho que queria seguir para a vida", conta, enfatizando que o interesse pela ilha ocorreu em 2015, quando ela entrou na Fundação Zoobotânica do RS como Iniciação Científica no setor de Conservação e Manejo. "Por coincidência, não analisamos a Ilha dos Lobos por carência de dados das espécies. Um ano depois encontrei a professora Larissa e demonstrei meu interesse em trabalhar com mamíferos e ela me apresentou o projeto. E tudo se encaixou!" Ela lembra que o estudo conta com a participação de discentes e docentes dos PPG Biologia e PPG Computação Aplicada da Unisinos, além da colaboração de instituições nacionais e internacionais, como Uergs, Ufrgs, Gemars, Instituto Australis, Conicet, Cigren e CMA/ICMBio.

 

Inovação e a tecnologia em campo

A partir da geoinformática é possível desenvolver um modelo tridimensional imersivo e interagir no laboratório. "O estudo traz toda a tecnologia aliada à interpretação geológica e biológica da área. É como se a Ilha dos Lobos estivesse à nossa disposição, independentemente de condições ambientais e de logística de acesso", afirma Natália.

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