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Notícias | Região Surto

Cachoeirinha lidera número de casos de sarampo no Rio Grande do Sul

Com 19 casos confirmados, taxa de infectados na cidade chega a ser 14 vezes superior a Porto Alegre e quase o dobro da média nacional; vírus veio de São Paulo

Por Eduardo Torres
Última atualização: 11.01.2020 às 10:38

Campanha de vacinação, em outubro, manteve Cachoeirinha abaixo dos 90% de imunização entre os pequenos Foto: Fernando Planella/PMC
O primeiro boletim epidemiológico sobre casos de sarampo, divulgado nesta quarta (8), coloca Cachoeirinha em uma preocupante liderança. A cidade é a que concentra o maior número de casos confirmados da doença no Rio Grande do Sul, desde o início do surto, em meados de 2019. Ao todo, 19 pessoas foram diagnosticadas com sarampo em Cachoeirinha. Um caso confirmado a mais do que Porto Alegre, por exemplo. A incidência, no entanto, é 14 vezes maior do que na Capital, e quase o dobro da incidência de todo o país.

Enquanto Porto Alegre, que é o segundo município do Estado com mais casos confirmados, registra um caso de sarampo para cada 100 mil habitantes, em Cachoeirinha, são 14 para 100 mil habitantes. Em Gravataí, que tem o terceiro maior número de casos confirmados, foram 14 infectados — taxa de cinco por 100 mil habitantes. Significa que, no Rio Grande do Sul, só Cachoeirinha apresenta índices superiores à média nacional. Em todo o país, foram confirmados 17,2 mil, uma taxa de 8 por 100 mil habitantes.

Os casos mais recentes na cidade, confirmados pelo boletim desta semana, apontam para duas crianças de quatro meses e o pai de uma delas. A incidência entre crianças com até um ano de idade chega a ser 12 vezes maior do que em outras faixas etárias. Os três apresentaram os sintomas ainda em 2019, e agora tiveram a confirmação laboratorial da doença.

"Temos um setor de epidemiologia muito bem estruturado, que intensificou a busca ativa de casos suspeitos a partir do alerta do primeiro caso de sarampo confirmado na cidade. O número pode estar subindo justamente pela nossa eficiência neste trabalho, o que gera um diagnóstico bem mais próximo da realidade e que nos permite atuar mais corretamente no controle e prevenção da doença", explica o secretário municipal da Saúde, Dyego Matielo.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), surtos de sarampo já atingiram 17 países desde 2017. Mundialmente, no entanto, a OMS considera que apenas um em cada 10 casos de sarampo são notificados e diagnosticados.

No caso de Cachoeirinha, pode se dizer que a cidade está no centro do surto da doença no Rio Grande do Sul. Dos 64 casos confirmados, 51 concentram-se entre Porto Alegre, Cachoeirinha e Gravataí. Há ainda 33 casos sob investigação. Além das três cidades, a secretaria confirma ainda casos em Canoas (2), Alvorada (3), Tramandaí (3), Ijuí (2), Dois Irmãos (1), Santo Antônio da Patrulha (1) e Carlos Gomes (1).

Importado de São Paulo

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, o vírus que chegou ao Estado em 2019 tem origem em São Paulo que, como apurou o governo paulista, alastrou-se a partir da cepa do vírus que provocou um surto de sarampo na Europa. O município confirma esta origem. O primeiro caso de sarampo confirmado em Cachoeirinha foi justamente de um homem que havia vindo de São Paulo e foi atendido no Hospital Padre Jeremias com os sintomas da doença.

"Foi a partir deste caso que iniciamos o trabalho de controle epidemiológico com o máximo de eficiência", aponta o secretário. Segundo ele, a doença não atinge uma região específica da cidade.

Vacinação em baixa

Conforme o Ministério da Saúde, o surto de sarampo no país está diretamente relacionado à queda nos índices de vacinação da população. Em Cachoeirinha, não foi diferente. Se em 2015 o município apresentava 80,6% da população com até um ano vacinada com a tríplice viral, em 2017, este índice desabou para 76,5%. Em 2018, voltou a subir, chegando a 85,4% deste grupo populacional imunizado, ainda assim, abaixo do índice estadual, de 88% de imunização em crianças com até um ano. Mais abaixo ainda dos 95% considerados ideais pela OMS.

Em Gravataí, por exemplo, o ciclo de cobertura vacinal foi inverso entre 2015 e 2018. No primeiro ano, 75,5% da população com até um ano havia recebido a tríplice viral. Já em 2018, 92% desta população estava imunizada. Levantamento da Secretaria Estadual da Saúde mostrou que em 59% dos casos em que crianças não foram vacinadas no Rio Grande do Sul o motivo foram escolhas pessoais dos pais. Um quinto deles alegou esquecimento. Conforme a prefeitura de Cachoeirinha, nos últimos três anos não houve problemas no fornecimento da tríplice viral, que imuniza contra o sarampo.

O estudo constatou, no entanto, que jovens deixam de vacinar seus filhos com mais frequência por não terem convivido com certas doenças comuns no passado. Após o Dia D de vacinação contra o sarampo, a prefeitura contabilizava ainda estar com 86% de cobertura do público alvo. Era outubro, e até então Cachoeirinha tinha confirmados apenas dois casos de sarampo.

O sarampo é considerado uma doença infecciosa grave, causada por um vírus. Transmitida pela tosse, fala, espirro ou respiração próxima da pessoa infectada.

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