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Notícias | Região Abigeato

Esquema que furtou mais de 300 bois neste ano era comandado a partir de Gravataí

Dono de mercado no bairro Parque dos Anjos é apontado pela polícia como líder de quadrilha que suspeita de atacar em pelo menos oito municípios da Serra e Litoral. Outros dois suspeitos foram presos na cidade

Por Eduardo Torres
Última atualização: 02.12.2019 às 13:54

Ação cumpriu mandados de prisão e de buscas em Gravataí Foto: Divulgação/Polícia Civil
Pelo menos três homens presos preventivamente na manhã desta segunda (2), em Gravataí, durante uma operação policial comandada a partir de Bagé, são apontados como líderes e principais articuladores de um volumoso esquema de abigeato a partir da Serra e do Litoral. De acordo com o delegado André Mendes, que comandou a investigação pela Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab), só neste ano, o grupo é apontado como responsável pelo furto de mais de 300 bovinos de propriedades em pelo menos oito municípios.

Diego da Silva Guezzi, proprietário de um mercado no bairro Parque dos Anjos, em Gravataí, foi um dos presos. Conforme a investigação, ele seria um dos articuladores do destino do boi levado das propriedades. Ao longo de três meses de investigações, foram localizados 186 bovinos sem procedência e outros 150 quilos de carne resultado de abigeato.

A rede, que teve nesta segunda sete pessoas presas preventivamente, com os cumprimentos de 12 mandados de busca e apreensão entre Gravataí, Caxias do Sul e Minas do Leão, contava ainda com duas peças importantes na cidade. Fagner da Silva Coimbra, conhecido como Pipo, proprietário de uma transportadora com endereço na Costa do Ipiranga, é apontado pela polícia como um dos principais fornecedores de gado para rodeios. Ele se utilizaria desta via de transporte de animais para os eventos como forma de camuflar o carregamento dos bois furtados.

Outro elo da quadrilha por aqui seria José Antônio da Costa, proprietário rural responsável pelo confinamento de animais antes do abate.

Ameaça a político

Na ação desta segunda, dois caminhões boiadeiros foram apreendidos. Seriam os veículos usados para levar o gado em grande quantidade, retirado de propriedades em Santo Antônio da Patrulha, Palmares do Sul, Capivari do Sul, Osório, Tavares, Maquiné, Taquara e Mostardas. Uma vez retirados da propriedades e trazidos para a Região Metropolitana, parte dos bois era repassada viva, outra parte, seguia para o confinamento e abate, com a venda da carne irregular.

"Como a maioria dos animais furtados já foram abatidos, a Decrab irá representar junto ao Poder Judiciário pelo perdimento dos semoventes apreendidos em favor das vítimas, como forma de minimizar os prejuízos sofridos com os ataques. Acredita-se que se trata do maior e mais bem organizado grupo criminoso de abigeato em atividade no Rio Grande Sul. Um dos envolvidos no esquema, utilizando-se de influência, chegou a procurar um deputado estadual objetivando buscar apoio político, através de “contatos” para frustrar o trabalho dos policiais e fiscais agropecuários da Secretaria de Agricultura que participam das investigações", revela do delegado Mendes.

A Polícia Civil não revela nomes, mas um dos integrantes do bando teria procurado um deputado estadual tentando blindar-se da ação dos fiscais da Secretaria da Agricultura, quando a operação fez uma ofensiva em Palmares do Sul, meses atrás. Na ação desta segunda, oito fiscais agropecuários acompanharam os 80 policiais civis envolvidos na operação.

Este tipo de abigeato, com a retirada de animais em grande quantidade de cada propriedade rural, é considerado raro pela Polícia Civil. Desde 2017 não eram apuradas organizações como a flagrada nesta operação, por isso o nome de Operação Regresso. Agora, a Decrab acredita que os índices de abigeato terão diminuição significativa no final do ano no Estado.

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