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Notícias | Mundo Política

Em encontro com Bolsonaro, Biden defende democracia e Amazônia

Primeiro contato entre os líderes foi comedido; Presidente norte-americano defendeu as instituições do Brasil e elogiou o governo pela proteção da Amazônia

Por Aline Bronzati, correspondente, e Beatriz Bulla, enviada especial
Publicado em: 09.06.2022 às 21:50 Última atualização: 09.06.2022 às 21:52

O primeiro encontro entre os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden teve a pauta ambiental e a democracia no Brasil como temas centrais nesta quinta-feira (9). Os dois assuntos são caros para os norte-americanos. Biden defendeu as instituições do País e elogiou o governo pela proteção da Amazônia, enquanto Bolsonaro manteve sua retórica e afirmou que por vezes sente a soberania brasileira ameaçada quando o assunto é a floresta.

Bolsonaro e Biden se encontraram pela primeira vez desde posse do presidente norte-americano
Bolsonaro e Biden se encontraram pela primeira vez desde posse do presidente norte-americano Foto: Montagem sobre fotos
A imprensa pôde acompanhar a abertura da reunião, momento em que os presidentes normalmente trocam rápidos cumprimentos. Biden fez um curto pronunciamento. "O Brasil é um lugar maravilhoso. Por sua democracia vibrante e inclusiva e instituições fortes, nossas nações são ligadas por profundos valores compartilhados", afirmou o presidente norte-americano. 

Biden também falou sobre a proteção da Amazônia, disse que o Brasil tem feito um bom trabalho para proteger a floresta e que defende que o resto do mundo ajude a financiar a proteção da área. Ele ainda afirmou que já esteve no Brasil três vezes. A fala inicial foi protocolar e durou cerca de um minuto e meio.

Já Bolsonaro fez um discurso longo para os padrões do momento, de mais de 6 minutos, no qual deu justificativas para três assuntos que preocupam os estadunidenses: seu posicionamento sobre eleições brasileiras, a proteção da Amazônia e a relação com a Rússia. Ele não recuou, no entanto, na retórica que tem mantido no Brasil.

Sobre eleições, Bolsonaro falou que o País terá eleições livres, justas e que trabalha para que sejam auditadas. "Nós queremos, sim, eleições limpas, confiáveis e auditáveis", disse.

A Casa Branca sabe que a retórica do presidente brasileiro para atacar o sistema eleitoral passa pela alegação de que urnas eletrônicas não são auditáveis. Pouco antes da reunião com o presidente norte-americano, na saída do hotel onde está hospedado, Bolsonaro disse que o sistema é inauditável, o que é falso.

Também antes do encontro, o presidente brasileiro disse que não faria comentários sobre as eleições de 2020 nos Estados Unidos. Último líder do G-20 a cumprimentar Biden pela vitória contra Donald Trump, Bolsonaro repetidas vezes fez alegações do republicano que põem em dúvida a legitimidade da eleição de Biden. "Vocês sabem que eu tive um excelente relacionamento com o presidente Trump. Isso é passado", afirmou Bolsonaro antes da reunião.

Bolsonaro mantinha com Trump uma relação de admiração e replicava, no Brasil, o estilo e as políticas do republicano. Durante os dois anos em que ambos exerceram a presidência, Trump recebeu Bolsonaro nos EUA duas vezes - uma delas na Casa Branca e a outra na residência de verão do presidente americano, em Mar-a-Lago. Eles também se encontraram no G-20 em Osaka, Japão. Todos os encontros foram amigáveis e com declarações públicas de admiração. Quebrando uma tradição diplomática, Bolsonaro declarou sua torcida pela vitória de Trump.

A reunião com Biden foi bastante diferente. Os presidentes não sorriram, não deram aperto de mão em frente aos jornalistas e não se elogiaram. Em boa parte do tempo, Biden olhava para as próprias mãos enquanto Bolsonaro discursava.

Ao sair para o encontro com Biden, Bolsonaro falou calmamente com a imprensa e respondeu todas as perguntas dos jornalistas. Declarou-se "tranquilo" e "em paz", para o encontro com o democrata. O presidente dos EUA tentou se manter o mais distante possível de Bolsonaro desde que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2021. O encontro entre os dois foi costurado a contragosto por ambos.

Biden se curvou à ideia de convidar Bolsonaro para um encontro bilateral diante do risco de sediar uma Cúpula das Américas esvaziada e depois de assistir a aproximação de Bolsonaro e de Alberto Fernández (Argentina) a Vladimir Putin, na iminência do início da guerra na Ucrânia.

Com o encontro Biden tentou um equilíbrio delicado. Como anfitrião e responsável pelo convite a Bolsonaro, foi aconselhado a evitar o que os diplomatas chamam de "caneladas". Por outro lado, foi cobrado por sua base política e de eleitores a cobrar Bolsonaro pela defesa do sistema eleitoral brasileiro, de compromissos ambientais e democráticos.

Viagem

Nesta sexta-feira (10), Bolsonaro fará um curto discurso na plenária da Cúpula das Américas. Depois, terá encontros bilaterais com os presidentes da Colômbia, Iván Duque, e do Equador, Guilherme Lasso. Ele não se reunirá com os presidentes de esquerda do Chile, Gabriel Bóric, e da Argentina, Alberto Fernández.

De Los Angeles, o presidente viaja a Orlando, na outra costa dos Estados Unidos, onde fará uma agenda política. Ele irá inaugurar o vice-consulado de Orlando, um pleito antigo dos brasileiros que moram no local. Reduto da comunidade brasileira nos EUA, a região concentra lideranças evangélicas e apoiadores de Bolsonaro no exterior. Ele deve participar ainda de uma motociata em sua homenagem e pode encontrar o blogueiro foragido da Justiça, Allan dos Santos, que estará na cidade.

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