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Notícias | Especial Coronavírus Novo Hamburgo

'Não adianta receber leitos de UTI se a população não colaborar', diz presidente da FSNH

Ráfaga Fontoura acredita que se o município usar mais duas etapas do plano de contingência, poderá haver um colapso no sistema de saúde

Por Jauri Belmonte
Última atualização: 17.06.2020 às 12:58

Ráfaga Fontoura

"Quando falamos em colapso da saúde, não é apenas sobre leitos, mas também sobre mão-de-obra. Ou seja, não adianta receber leitos de UTI se a população não colaborar". Esta foi uma das falas do diretor-presidente da Fundação de Saúde de Novo Hamburgo (FSNH), Ráfaga Fontoura. Em entrevista ao programa Ponto e Contraponto da Rádio ABC 103.3 FM, na manhã desta quarta-feira (17), ele relatou que o Centro Covid de Novo Hamburgo está lotado. Segundo Fontoura, está acontecendo um crescimento exponencial da procura por unidades de saúde, uma vez que nesta época também aumentam as síndromes gripais.

"Nesse momento, qualquer sintoma, acende um luz vermelha que pode ser a Covid-19. E nos últimos 10 dias, tivemos um aumento de casos confirmados de coronavírus. Tivemos, nos últimos 5 dias, oito confirmações positivas diárias. No Hospital Municipal, por exemplo, tínhamos uma média de seis a sete internações. Hoje nossa média já está em 20 pacientes internados e confirmados com Covid, sem contar os suspeitos", frisou. 

Recursos finitos e conscientização

O diretor também se mostrou preocupado quanto às condições de recursos disponíveis para atendimento de pessoas com Covid-19 em Novo Hamburgo. "Nossa capacidade técnica é finita, infelizmente. Por mais de que tenhamos um aumento no número de leitos, dificilmente se pensa na outra ponta, que é o número de profissionais. Esse número, por vezes não aumenta. Quando falamos do colapso, não falamos apenas de leito, mas também, mão-de-obra", ressalta.

Segundo Fontoura, hoje, no Estado do Rio Grande do Sul, são apenas 430 profissionais cadastrados que podem atuar em UTI. "Posso montar mais 100 leitos de UTI, mas não adiantará se não tivermos profissionais. É como o manuseio em respiradores, preciso de profissionais aptos para tal função. Por isso, pedimos às pessoas para respeitar o distanciamento controlado. Ninguém quer ver o comércio fechado, mas isso não significa que seguiremos tendo uma vida normal como se não houvesse pandemia. Ela é real, está aí, não adianta negar", destacou.

Chance de colapso

"Existe um aumento vertiginoso de casos. Não apenas em Novo Hamburgo, mas em várias cidades da região", explicou. Segundo ele, o aumento de casos de coronavírus é diário. Ao ser questionado sobre o quê agravou, ele respondeu: "Esse aumento está atribuído ao aumento de circulação de pessoas, com o afrouxamento das regras de distanciamento. E o problema da Covid-19, diferente de uma gripe comum, é que os casos de internação são maiores pela agressividade respiratória da doença", completou. 

Fontoura ainda completa, dizendo que o que aconteceu no Brasil, aconteceu em boa parte do mundo diante da pandemia: "No início as pessoas tiveram medo, depois acharam que não chegaria aos seus ciclos de contato, e, com isso, elas acabam sendo contaminadas com o vírus", falou. "Aqui em Novo Hamburgo, nosso plano de contingência tem apenas mais duas etapas. Se tivermos que usar essas duas próximas etapas, posso dizer com toda a certeza que teremos um colapso no sistema de saúde. Não faltarão apenas leitos para Covid-19, mas para outras enfermidades", ponderou.

 

"Estamos desde março atrás de respiradores. São respiradores que, no mercado brasileiro, não há. Estamos buscando eles por meio de importação", finalizou.

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