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Notícias | Especial Coronavírus guerra ao coronavírus

Cachoeirinha prevê investir R$ 3 milhões entre hospital de campanha e centros de triagem

Repasse federal para estas estruturas cobrirá apenas 12% do necessário. Centros de triagem já foram instalados, mas ainda não funcionam. Na próxima semana, a perspectiva é de que os leitos de UTI no hospital de campanha sejam abertos

Por Eduardo Torres
Última atualização: 02.04.2020 às 12:04

Contêiner já está em frente ao posto Odil, mas depende da instalação hidráulica para funcionar Foto: Fernando Lopes/GES
Na tarde desta terça (31), a Priscila Santos, 27 anos, moradora da Granja Esperança, em Cachoeirinha, foi obrigada a sair de casa para levar o filho, de três anos, até a UPA 24 Horas. Estava preocupada com os sintomas do menino. Fazia dois dias que estava com forte dor de gargante e febre persistente. Sintomas que ele, que tem problemas respiratórios, já apresentou em anos anteriores, mas em época de coronavírus, a preocupação é inevitável.

O menino seria atendido na própria estrutura da UPA, mas este não é o plano da prefeitura, que garante estar se estruturando para uma guerra contra o novo vírus nos próximos dias. Ao todo, o município estima investir R$ 3 milhões entre estrutura, pessoal e EPIs para erguer um hospital de campanha no Ginásio da Fátima e pontos de triagem, com contêineres, em frente à UPA e ao posto Odil, ao lado do ginásio.

Os postos de triagem, que são a primeira ponta desta campanha, já deveriam estar funcionando desde o final da última semana, mas houve atraso na instalação hidráulica. Agora, o município corre atrás de mão de obra para garantir a abertura dos contêineres.

A ideia, de acordo com o secretário municipal da Saúde, Dyego Matielo, é que casos como o do filho de Priscila nem entrem na UPA, liberando aquele espaço para outras demandas da saúde e evitando aglomerações que possam facilitar o contágio. O menino seria examinado neste posto de triagem, e ali os profissionais da saúde dariam um encaminhamento. Em caso de agravamento de sintomas, o hospital de campanha, que deve estar pronto até a próxima semana, ou a recomendação pelo isolamento em casa, que é o ideal quando não há sintomas respiratórios graves.

A conta da guerra

Em mais de uma transmissão ao vivo pelo facebook, Matielo salienta que Cachoeirinha "está pronta para a guerra". Além da definição da estratégia de combate, esta guerra exige matemática financeira do município. Com o decreto de calamidade em vigor, o prefeito está autorizado a dispor de recursos do orçamento para compras emergenciais. Miki Breier (PSB) garante que ainda não foi necessário buscar verbas em outras pastas. Autorizou as compras para a montagem do hospital de campanha a partir do orçamento do município na área da saúde, mas conta com alguma possível flexibilização pelo Congresso da Lei de Responsabilidade Federal enquanto durar a crise do coronavírus, já que os empenhos devem comprometer as contas públicas até o final do ano.

Estrutura do Ginásio da Fátima já está quase toda pronta para receber os leitos e equipamentos do hospital de campanha Foto: Fernando Lopes/GES

"Será inevitável termos que tirar recursos de outras áreas de investimento. Vai faltar em algum lugar, mas temos uma prioridade neste momento, que é preservar a vida das pessoas", resumiu o prefeito em uma transmissão ao vivo pelo facebook, na terça (31).

É que a fatia destinada a Cachoeirinha de recursos do Ministério da Saúde para montagem de hospitais de campanha e centros de triagem, de R$ 386,5 mil, que ainda não foi depositado ao município, cobriria somente 12% do necessário ao projeto que terá 60 leitos no ginásio. Destes, seis de UTI com respiradores, além de outros dois leitos de UTI equipados com respiradores na UPA 24 Horas.

"Saltaremos de zero para oito leitos de UTI preparados para garantir a permanência de pacientes agravados, pelo menos por um tempo até a transferência para algum hospital de referência", explica o prefeito.

Para que se tenha uma ideia, somente entre estes leitos de UTI, serão investidos R$ 800 mil. O Hospital Padre Jeremias não é equipado com este tipo de estrutura. Logo, ao considerar a matemática exponencial de avanço do coronavírus, Cachoeirinha, hoje, estaria em um vácuo. Pacientes com qualquer agravamento não encontram no município, pelo menos até a próxima semana, a estrutura para internação.

De acordo com o secretário Matielo, o destino da verba federal pode acabar sendo a compra de mais EPIs para as equipes de saúde do município. Da Câmara de Vereadores, há a sinalização de repasses de até R$ 650 mil do orçamento para o Executivo. O governo conta também com alguma parcela dos R$ 50 milhões — seja por compras coletivas feitas pelo governo estadual ou por repasse de verbas — já anunciados pela bancada gaúcha em emendas parlamentares para ações de combate ao coronavírus.

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