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Notícias | Especial Coronavírus impacto econômico

Centenas fazem carreata com buzinaço pelo fim do fecha-tudo em Gravataí

Manifestantes defendem a reabertura do comércio depois de uma semana de restrições às atividades em Gravataí. Isolamento é recomendado como forma de evitar o colapso do sistema de saúde pelo avanço do coronavírus

Por Eduardo Torres
Última atualização: 27.03.2020 às 16:10

Munidos de bandeiras do Brasil e, alguns, de máscaras de proteção, cerca de 300 pessoas foram para a principal avenida de Gravataí Foto: Eduardo Torres/GES
Em torno de 300 carros tomaram a avenida Dorival de Oliveira, a partir da parada 61, em direção à prefeitura de Gravataí, no começo da tarde desta sexta sexta (27). Munidos com bandeiras do Brasil e, alguns deles, com máscaras de proteção, davam voz à manifestação defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, contrária às ações de isolamento social e fechamento do comércio, que completou cinco dias na cidade nesta sexta, como forma de conter o avanço do coronavírus na cidade.

O movimento, liderado por um grupo de revendas de carros, exigia a reabertura do comércio justamente no dia em que o isolamento chegaria ao seu ponto mais restritivo em Gravataí, conforme o decreto municipal, com o fechamento das atividades industriais que não se enquadram em atividades essenciais.

"Se tiver que continuar fechado, eu já decidi que vou demitir meus nove funcionários no dia 5. Nossa ideia é conversar com o prefeito e, se não tivermos uma mudança no cenário até segunda, vamos nos manifestar mais uma vez", diz Edegon Santos Pereira, 51 anos, que desde 1995 tem uma loja na parada 61 e foi um dos organizadores do movimento que se repete em diversas cidades no Brasil.

O plano dos manifestantes é repetir o buzinaço e a carreata na manhã deste sábado (28), em Cachoeirinha.

"Nós sabemos que esta doença não é uma brincadeira, mas o Brasil não pode parar. Queremos abrir o comércio e manter em isolamento os idosos e pessoas doentes. Nossa ideia é fazermos um acordo para que todos os funcionários com mais de 60 anos fiquem em casa, mas que as pessoas sadias possam trabalhar. Não queremos liberar tudo, tipo futebol ou casas noturnas, mas queremos trabalhar e cumprir todos os cuidados de higiene que devemos ter neste caso", justifica.

A Acigra ainda não fez um levantamento detalhado de possíveis prejuízos com a semana de comércio parado. Em Cachoeirinha, a ACC aponta que até 20% das empresas do setor na cidade não terão sequer como cumprir a folha de pagamento de março. Diferente de Gravataí, o município não estabeleceu restrições à atividade industrial, mas o CIC calcula redução na produção por dificuldades com fornecedores e compradores. O setor alega que a cadeia produtiva está parando.

Em uma entrevista pelas redes sociais na manhã desta sexta, o prefeito de Gravataí Marco Alba (MDB) admitiu que o governo tem estudado a reabertura gradual das atividades econômicas. Mas o governo defende a necessidade de isolamento por 15 dias como forma de impedir um colapso imediato na rede pública de saúde. A retomada total das atividades, em um cenário otimista, apontou o prefeito, seria no dia 13 de abril.

Carreata reuniu centenas na Dorival de Oliveira Foto: Eduardo Torres/GES

"O poder público é o mais prejudicado com a redução do ritmo da economia. Claro que estamos preocupados. Já temos redução de R$ 80 milhões na arrecadação", disse.

Entidades empresariais entregaram às prefeituras sugestões de isenções por períodos limitados de impostos municipais. Os pedidos são analisados pelos governos locais. A medida de maior impacto positivo, no entanto, aconteceu justamente enquanto a carreata avançava por Gravataí. O presidente Bolsonaro anunciou o plano de abertura de linha de crédito para pequenas e médias empresas custearem até dois salários mínimos das suas folhas de pagamento por dois meses.

O empréstimo terá, segundo o governo federal, juro de 3,75% ao ano, e terá 85% do custeio garantido pela União. Outros 15% por bancos privados.

Até o final do dia são esperados novos decretos municipais adaptando o "fecha tudo" a medidas estaduais e federais que flexibilizaram a medida para alguns setores.

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