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Notícias | Especial Coronavírus Tráfego

Pandemia faz movimento da maioria das rodovias cair mais da metade na região

Acidentes e infrações também tiveram forte redução

Por Débora Ertel
Última atualização: 26.03.2020 às 06:59

A BR-116, que sempre foi muito movimentada mesmo em finais de semana, agora está com fluxo de veículos bem menor Foto: Ermilo Drews/GES-Especial
As restrições impostas pelos decretos de calamidade pública para enfrentar a pandemia de coronavírus refletiu no movimento das rodovias que cruzam a região. A circulação de menos veículos também impactou no volume de acidentes de trânsito e no número de feridos. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a redução de acidentes entre 20 e 22 de março em relação aos dias 13, 14 e 15 de março é de 42,5% no Estado. O número de feridos em comparação aos mesmos períodos foi inferior 51,1%. A PRF estima que movimento na BR-116, BR-448 e BR-386 caiu mais de 50% em menos de uma semana.

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Na RS-240, entre Montenegro e São Leopoldo, o último acidente aconteceu em 17 de março, conforme o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) de Portão. Até o número de multas registradas pelo radar móvel caiu. Para o soldado Émerson Marciano de Almeida, os motoristas estão optando por andar mais devagar. "Mesmo com a pista livre, estão dirigindo com mais tranquilidade", comenta. Almeida também observou redução nas filas do pedágio.

Exceção na RS-239

Na RS-239, estrada que liga o Vale dos Sinos ao Paranhana, apontada com uma das rodovias mais perigosas, o cenário está diferente. De quarta-feira da semana passada até a manhã de quarta-feira (25), o CRBM de Sapiranga havia atendido cinco acidentes. Lembrando que nos dois primeiros meses do ano pelos menos sete pessoas morreram nesta estrada.

Movimento nesta quarta-feira

Na avaliação dos policiais rodoviários, o movimento nesta quarta-feira (25) permaneceu semelhante ao de terça-feira (24). Tanto quanto nas vias estaduais e federais, o fluxo de veículos foi baixo, mesmo depois do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro que defendeu o isolamento apenas para pessoas acima de 60 anos.

Poucos clientes para abastecer

O funcionário de um posto de combustível de Sapiranga às margens da RS-239, que prefere não se identificar, diz que o fluxo de veículos caiu mais de 50%. "Aqui na loja também diminuiu a metade. Até caminhão se vê rodando menos. Cada dia está baixando mais", comenta. Segundo ele, até sábado os clientes pediam para completar o tanque, comportamento que mudou nesta semana.

Redução de veículos pesados nas estradas

Na RS-240, há poucos caminhões circulando Foto: Débora Ertel/GES-Especial
O diretor operacional de uma transportadora de Novo Hamburgo, Otávio Joner, lamenta o cenário que o País e o Estado enfrentam nesta semana. "Infelizmente tivemos uma queda significativa desde o decreto do governador. Muitas empresas fecharam, o que reduziu o volume de carga transportada" diz. Segundo Joner, o que ainda movimenta o setor de transportes é o ramo da alimentação e todas as áreas necessárias para garantir a sua produção, como embalagens, adesivos e pneus. Ele relata que os motoristas têm enfrentado dificuldades.

Caminhoneiros se refugiam em posto

A gerente de um posto de combustíveis às margens da RS-240, no bairro Rincão do Cascalho, em Portão, Luciane Knorst, 47 anos, conta que o movimento caiu 80% em relação à semana passada. "A situação está preocupante com o transporte pesado", avalia. Segundo ela, o estacionamento da empresa virou "casa" de muitos caminhoneiros que não conseguem voltar para suas cidades em razão da restrição de funcionamento das empresas. "Nós continuamos funcionando, pois eles precisam de um suporte, um lugar para comer e poder tomar banho", destaca. Segundo Luciane, a maioria dos restaurantes à beira das rodovias foi obrigada a fechar. No posto de Portão, o restaurante produz marmitas e entrega a comida pela janela aos motoristas, que voltam ao caminhão para comer. De terça para quarta-feira mais de dez caminhoneiros passaram a noite no estacionamento. Sobre o funcionamento do posto, Luciane explica que houve redução de efetivo e a unidade da empresa que fica na área central de Portão, também tem horário de atendimento menor. "Não há movimento. Aqui na beira da faixa temos que continuar para apoiar o pessoal do transporte que não pode parar, além de abastecer as ambulâncias, as viaturas e carros de serviço", salienta.

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