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Notícias | Especial Coronavírus assistência social

A dura vida de quem sobrevive nas ruas das cidades paralisadas pelo coronavírus

Estruturas de assistência social de Gravataí e Cachoeirinha adaptam-se para garantir estrutura a quem mais precisa em meio à crise. Doações de alimentos, material de higiene e limpeza, e roupas de cama são bem-vindas

Por Eduardo Torres
Última atualização: 25.03.2020 às 09:49

Alex Sandro depende do albergue e corre atrás de um emprego em meio à crise do coronavírus Foto: Fernando Lopes/GES
Se a crise provocada pelo coronavírus provoca arrepios a empresários e empregados, pior para quem já sente dia a dia as dificuldades econômicas anteriores à pandemia. Na semana em que o comércio e a indústria de Gravataí e Cachoeirinha começam a ter funcionamento restrito, aquele movimento comum das manhãs, com pessoas caminhando ou correndo ao redor do Parcão da Parada 79, de Gravataí, desapareceu. Só estavam por ali na manhã de segunda (23) aqueles que haviam dormido na Casa do Bem, o albergue municipal e, dependentes do movimento das ruas para sobreviver, ainda tentavam se adaptar.

"Fiquei mais de uma hora na sinaleira, na frente do supermercado, e não vendi nenhuma balinha. Eu tô correndo atrás de emprego há dois meses em Gravataí e não sei o que vai ser agora, com tudo fechado", desabafa, Alex Sandro Araújo, 44 anos, com a caixa de balas, que ele costuma vender diariamente, ainda cheia.

Até o final da manhã daquele dia, com as ruas centrais de Gravataí vazias, recebeu somente uma gorjeta de R$ 5. Além das balas, Alex trabalha como engraxate, mas com a ação de isolamento necessário da população, faltam sapatos para engraxar.

"Pelo menos deu para uma galinha. Vou fazer um fogareiro e garantir o meu almoço", conta.

Morador de Butiá, onde trabalhava na limpeza urbana, ele veio para Gravataí em busca de emprego, mas não encontrou vagas. O amparo para Alex e tantos outros é a estrutura de assistência social, que segue funcionando — e precisa de ajuda. Entre Gravataí e Cachoeirinha, pelo menos 55 pessoas dormem entre os dois albergues municipais, agora com uma certa adaptação à realidade de controle ao coronavírus.

Na Casa do Bem, em Gravataí, o horário de fechamento foi retardado para 22h, para que dê tempo para o novo esquema de higienização individual. Os usuários, neste período de crise, entram de quatro em quatro, e só acessam as estruturas do albergue depois do banho. Cada quarto continua recebendo até oito pessoas.

"A gente fica um pouco preocupado, mas é o risco para nós que estamos na rua. Não tem como se proteger muito mesmo", diz.

Durante os dias, Alex Sandro também é usuário do Centro Pop. Ele costuma deixar lá os seus pertences, lanchar e fazer a higiene pessoal. Nesta semana, porém, a estrutura, no Centro de Gravataí, foi fechada, mas sem deixar de prestar o atendimento aos usuários.

É que a equipe da assistência do Centro Pop foi deslocada para a Casa do Bem. A partir de agora, quem dorme no albergue, toma seu café da manhã às 7h e deixa o local. Às 9h, a mesma estrutura será usada para o café da manhã aos usuários do Centro Pop, que não dormiram ali. A estrutura também ficará disponível para a higienização dos usuários do Pop.

Além disso, a Secretaria da Assistência Social organiza o trabalho de tele-atendimento a famílias carentes que procuram os Cras.

Moradores de rua

Em Cachoeirinha, a equipe de Assistência Social percorre as ruas em busca ativa aos moradores de rua para que sejam abrigados no albergue municipal.

"A cada noite, temos recebido até 15 pessoas, com todos os cuidados de higiene necessários para um momento como este", diz o secretário Valdir Mattos.

O restaurante popular de Cachoeirinha também atua com um esquema diferenciado. A partir da abertura, às 11h, as pessoas entram em grupos, com duração de meia hora. Para garantir a segurança contra o contágio pelo coronavírus, cada mesa recebe apenas uma pessoa.

Mattos alerta, no entanto, que a crise pegou desprevenida a estrutura assistencial do município.

"Não estávamos preparados, evidentemente. Então, já estão faltando máscaras e luvas para as equipes. Também temos sofrido com algumas baixas, porque parte da equipe tem mais de 60 anos e precisou ser mantida em casa. Neste momento, toda ajuda será bem vinda", afirma.

Ajude a quem precisa

Roupas de cama, toalhas, material de limpeza e higiene e alimentos não perecíveis são os produtos mais necessários neste momento, e podem ser doados diretamente na sede da secretaria, ao lado da prefeitura de Cachoeirinha, ou é possível solicitar a busca pela equipe da secretaria, pelo 3471-5939 ou 992606683.

Em Gravataí, a necessidade principal é de alimentos. E doações podem ser feitas diretamente ao Banco de Alimentos (Avenida Centenário, 8, no bairro Passo das Pedras), com informações pelo 3600-7756 ou 3600-7757.

A estimativa das equipes de assistência é de que a situação nas periferias piore pela parada na economia local. Catadores e recicladores já têm procurado os canais de atendimento da Assistência Social em busca de apoio principalmente com alimentos. 

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