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Cotidiano | Turismo Turismo

O Coliseu renascendo em Roma

Reforma valoriza patrimônio de Roma e símbolo da própria Itália

Publicado em: 10.07.2021 às 03:00

Após dois anos e meio de trabalho para escorar as passagens subterrâneas do Coliseu, em Roma, os turistas poderão descer e caminhar por parte do que havia sido os "bastidores" da antiga arena. O ministro da cultura da Itália anunciou formalmente no fim de junho a conclusão do trabalho para escorar e restaurar a seção subterrânea na presença do fundador da Tod's, fabricante de calçados e artigos de luxo, que pagou a restauração.

Prédio é uma das maiores atrações da cidade de Roma e símbolo da própria Itália Foto: Adobe Stock

Durante séculos, quando os espectadores encheram o Coliseu para assistir a espetáculos repletos de gladiadores e animais selvagens, o público foi proibido de se aventurar abaixo do nível do palco. A proibição durou de 80 d.C., quando o anfiteatro foi inaugurado, até o último show, em 523. Dezenas de plataformas móveis e elevadores de madeira foram usados nos tempos antigos para transportar até o nível do palco cenários vívidos, bem como artistas e animais para entradas dramáticas.

A diretora do Coliseu, Alfonsina Russo, disse que os turistas poderão caminhar por uma passarela de 160 metros de comprimento para ver alguns dos que eram originalmente 15 corredores que circundavam os níveis subterrâneos. O trabalho de restauração por equipes de engenheiros, agrimensores, operários da construção, arquitetos e arqueólogos, foi interrompido durante parte da pandemia de Covid-19.

Investimento

O fundador da Tod, Diego Della Valle, respondeu há vários anos a um pedido do governo italiano de financiamento do setor privado para projetos de restauração, devido à incapacidade do país de encontrar dinheiro para cuidar de sua imensa coleção de arte e tesouros arqueológicos. Della Valle também pagou por uma limpeza multimilionária (em dólares) do Coliseu, um projeto monumental que removeu décadas de fuligem e sujeira que faziam a arena parecer monótona e sombria.

Em maio, o ministro da Cultura, Dario Franceschini, detalhou um projeto para construir um palco leve dentro da área para que os visitantes possam admirar o antigo monumento de um ponto de vista central. O palco será retrátil. A arena original tinha um palco, mas foi removido em 1800 para exploração arqueológica do nível subterrâneo. A nova etapa também permitirá a realização de eventos culturais que, segundo o ministro, respeitariam o Coliseu como símbolo da Itália. (AE)

Porção inferior do Coliseu foi restaurada e até a parte subterrânea poderá ser visitada Foto: fotos Adobe Stock
 

Muito mais do que gladiadores

O cinema e a tevê tendem a retratar o Coliseu apenas como arena de lutas de gladiadores ou execuções bárbaras de cristãos jogados aos leões. Mas este prédio romano que funcionou durante séculos foi, na realidade, muito mais do que isso.

Historiadores romanos como Suetônio narram, por exemplo, batalhas navais que eram encenadas no estádio. Para isso, havia uma estrutura de vedações que permitia que toda a parte do palco fosse inundada, recebendo embarcações que faziam exibições bélicas para a população.

Também havia atividades esportivas e públicas feitas no espaço mesmo no tempo dos imperadores. Alguns dos líderes da Roma deste período costumavam fazer comunicados e exortações aos cidadãos romanos pouco antes ou depois de eventos na arena.

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