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Cotidiano | Turismo Cultura

Segredos do Museu do Ipiranga

Obra de reforma em São Paulo esbarrou em curiosos achados arqueológicos no terreno

Publicado em: 29.05.2021 às 03:00

Museu do Ipiranga Foto: Adobe Stock
Ainda em meio à pandemia, uma atração turística brasileira se prepara para reinaugurar no segundo semestre. E, neste processo, está rendendo até descobertas arqueológicas. Trata-se do Museu do Ipiranga, o mais antigo museu de São Paulo.
A instituição está fechada para visitação desde 2013 e passa por reforma, para reinaugurar no bicentenário da Independência do Brasil, agora em setembro de 2022. Mas algo curioso aconteceu durante as obras, que está atraindo atenção para o veterano museu. Vários objetos históricos foram encontrados, alguns bem estranhos. E não estavam dentro do acervo, mas no próprio terreno.
Riqueza histórica
O canteiro de obras do Museu do Ipiranga, em São Paulo, se transformou em um sítio de monitoramento arqueológico. Isso porque em escavações na área externa do museu, uma equipe de arqueólogos encontrou ossos, fragmentos de porcelana e objetos de uso pessoal.
Os achados de outras épocas são analisados e divulgados em série de postagens nas redes sociais do museu por meio de uma parceria com a Scientia Consultoria Científica.
Excentricidades
A série foi inaugurada por uma dentadura, da primeira metade do século 20, que incluía um dente com restauração em ouro, para disfarçar o uso da prótese. Ela foi encontrada durante o processo de remoção de árvores do jardim para replantio.
Entre os achados das escavações na área externa do Museu do Ipiranga, ossos de animais foram exumados pela Scientia Consultoria Científica: são pedaços de crânio, pélvis e pés de rês (vaca ou boi) com marcas de cortes retos, realizados com instrumentos de metal; um fragmento de mandíbula que pode ter pertencido a um gato e dentes de porco doméstico.
Também foram encontrados fragmentos de pratos, xícaras e potes de porcelana. A consultoria científica identificou que o conjunto data do fim do século 19 e início do 20.
Um deles parece ser o fundo de um prato raso, com o registro Société Céramique Maestrich, marca holandesa de 1859. Também foi identificado um pedaço de prato produzido na Fábrica de Louças Santa Catharina (FSC), uma das primeiras do país.
200 réis
O canteiro de obras do museu revelou duas moedas equivalentes a 200 réis que, dependendo da época, equivaleriam de R$ 2,50 até R$ 10. A mais antiga, cunhada na Europa, chegou às ruas no fim de 1901. A outra, comemorativa, é da segunda metade da década de 1930.
De um lado, a moeda tem uma locomotiva sobre trilhos; do outro, o busto de Visconde de Mauá, industrial que criou a 1ª via férrea do País, em 1854, o que lhe rendeu seu primeiro título de nobreza, o de Barão.
Durante o acompanhamento das escavações realizadas na área verde do Museu do Ipiranga foram identificados vários fragmentos de vidros, provavelmente do período entre o final do século 19 e o início do século 20. Um deles é um fragmento de uma garrafa de vidro com a inscrição “Labor omnia V”. A consultoria acredita que é um medicamento importado.(ABr)

Garrafa encontrada no Museu do Ipiranga com mensagem Foto: Divulgação

Algumas das curiosidades descobertas no canteiro de obras do Museu do Ipiranga, em São Paulo, incluem moedas antigas de réis, que representavam o equivalente a valores que hoje seriam não muito altos. Um dos achados mais curiosos, e que inclusive motivou o Museu a fazer uma consulta pública, é uma garrafa dentro da qual havia um nome feminino escrito sete vezes. Talvez alguma simpatia ou uma curiosa declaração de amor. Foto: Divulgação

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