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Viver com Saúde

Entenda como funciona a doação de plaquetas

Neste tipo de doação, Hemovida contou neste ano com apenas 76 doadores para abastecer 10 hospitais da região
03/06/2019 03:00 04/06/2019 15:02

É um processo um pouquinho mais demorado do que a doação de sangue, mas faz uma diferença gigantesca para quem precisa desse hemocomponente para algum tratamento ou mesmo recuperação de um acidente. A doação específica de plaquetas, em um processo chamado de aférese, produz aproximadamente seis unidades de plaquetas, ou seja, uma quantidade que equivale a seis doações de sangue convencionais.

A enfermeira do Hemovida, Nádia Ew Baccarin, explica que esse processo traz muito mais segurança ao paciente, uma vez que ele receberá a doação de menos pessoas, reduzindo qualquer possível risco durante a transfusão, principalmente na transmissão de doenças infecciosas.

"Para cada doador é recolhida uma quantidade, calculada no sistema. Normalmente, o doador que tem uma contagem de plaquetas acima de 220 mil pode fazer uma doação simples, de uma única bolsa, que equivale a cinco ou seis doadores de sangue. Se ele tem uma contagem acima de 300 mil, faz então uma doação dupla, o que equivale a 10 ou 12 doadores comuns de sangue", detalha.

Foto por: Gabriel Guedes/GES-Especial
Descrição da foto: TESTE: durante a doação de plaquetas é feita a coleta de amostras para a sorologia
A médica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Elizabeth de Souza, informa que ainda há falta de doadores regulares no País. "No Brasil, as estatísticas mostram que menos de 2% da população doa sangue regularmente, enquanto o ideal seria de pelo menos 3%", cita. Quando o assunto é a doação de plaquetas, o número é ainda menor, afinal, boa parte dos doadores de plaquetas são convocados entre os que doam sangue com mais frequência, explica Nádia. "Nesta época reduz um pouco o número de doadores e o estoque está abaixo do ideal, mas temos uma unidade de coleta também em Santa Cruz do Sul que nos dá esse suporte quando necessário", cita.

O Hemovida recebe, em média entre 800 a 1 mil doações de sangue por mês, índice que, conforme Nádia, o número reduziu cerca de 30% nas últimas duas semanas, com tempo chuvoso e frio. Quanto às plaquetas o número é menor: entre janeiro e maio foram 76 doadores por aférese, em média 15 por mês. "A captação de doadores é uma das atividades mais importantes na hemoterapia, pois precisamos deles não só em situações de emergências, mas torná-los fidelizados para que retornem com regularidade", diz.

Dez hospitais

O Hemovida, que funciona dentro do Hospital Regina, em Novo Hamburgo, é atualmente responsável pela coleta de sangue e de plaquetas que irão abastecer, além do Regina, o Hospital Unimed Novo Hamburgo, o Hospital Municipal de Novo Hamburgo, o Hospital Centenário e Hospital Dia Unimed, ambos em São Leopoldo, o Hospital São José de Ivoti, o Hospital São José de Dois Irmãos, o Hospital Sagrada Família em São Sebastião do Caí, o Hospital Unimed Vale do Caí, em Montenegro, e o Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves.

Mas pra que servem as plaquetas?

Este hemocomponente, ou seja, um dos componentes do sangue, corresponde a menos de 1% do volume total do nosso sangue, mas tem papel fundamental na coagulação. Elas entram em ação em nosso organismo no caso de um ferimento, por exemplo, aderindo ao local daquela ferida e, com a liberação de uma enzima, promovendo a coagulação, atuando assim no controle do sangramento. Além das plaquetas, nosso sangue é formado pelo plasma (parte líquida que contém água, sais minerais e proteínas), as hemácias ou glóbulos vermelhos (atuantes no transporte de gases, como o oxigênio) e os leucócitos ou glóbulos brancos (responsáveis pela imunidade e defesa do nosso corpo).

A doação de plaquetas ajuda, além das vítimas de traumas/acidentes, na recuperação de pacientes que estão passando por tratamento contra o câncer, de quem se submeteu a cirurgias cardíacas ou até se recupera de queimaduras. "Aqui na região, a maioria dos pacientes que recebe plaquetas estão na área de transplante de medula óssea, com leucemia, mielomas, ou outros pacientes pós transplante de medula e também em quimioterapia", detalha Nádia.

Como funciona a doação de plaquetas por aférese?

Foto por: fotos Gabriel Guedes/GES-Especial
Descrição da foto: GESTO DE AMOR: o jornalista João Ávila é doador de plaquetas há aproximadamente um ano
Doador de sangue há 34 anos, o jornalista João Ávila, 52 anos, conta que começou a rotina de solidariedade por incentivo da família. "Fiz 18 anos no dia 11 de novembro de 1984 e no dia 12 eu fiz a minha primeira doação de sangue no Hospital Regina. Meu pai sempre foi doador de sangue, até mesmo numa época em que eles buscavam em casa ou o médico ia lá e a gente fazia a doação de sangue ali mesmo, era outra época, mas eu sempre dizia que um dia eu iria substituí-lo nessa função e foi o que acabou acontecendo. Já a doação de plaquetas faz pouco tempo, um ano, numa conversa com a Nádia ela me perguntou se eu não teria interesse em fazer essa contagem de plaquetas para fazer a doação e eu não vi o porquê de dizer não. E de lá pra cá venho fazendo uma por mês", conta.

Como os demais doadores de plaquetas, João conta que não se importa em passar pelo processo de aférese que leva entre 60 e 90 minutos. Nesse tipo de doação, Nádia explica que é introduzido um cateter em uma veia do braço do doador e o equipamento centrifuga e faz a separação dos componentes do sangue pela densidade. "O sangue não circula na máquina, somente dentro de um kit descartável que é aberto na hora da doação. A hemácia que é mais pesada fica na base, o plasma, mais leve, na parte superior, e entre um e outro existe uma camada onde ficam as plaquetas. E tem um sensor que, enquanto ocorre a centrifugação, joga o plasma para essa bolsa temporária, o outro já percebe a presença dessa cama com as plaquetas, fecha a válvula, abre a outra e coleta estas plaquetas, em torno de uns 30 ml em cada ciclo. Aí então para e faz o processo inverso: devolve o plasma e as hemácias, em cada ciclo fica um pouco de plaquetas para a doação, são vários ciclos, por isso leva esse tempo", informa.

Neste processo é utilizada uma solução de anticoagulantes. "Como o sangue vai sair e depois retornar, enquanto ele estiver fora, se não tiver essa solução, vai coagular e não podemos devolver ao doador o sangue coagulado", conta.

Quem pode doar?

“Os critérios são basicamente os mesmos que a doação de sangue, esta pessoa apenas não pode estar em uso de anticoagulantes, como AAS, ou ter feito uso de anti-inflamatório nos últimos dias. Também tem que ser um doador regular, ter um bom acesso venoso e ter uma contagem de plaquetas mais alta para que ele possa doar e não ficar em prejuízo”, detalha Nádia. Os critérios principais são pessoas com idade entre 18 e 69 anos, que pesem mais de 50 quilos, em boas condições de saúde e que não estejam em jejum.

Quanto às mulheres há também outro cuidado especial. “As mulheres geralmente têm uma contagem de plaquetas mais alta que homens, porém no nosso perfil aqui elas não podem ter tido mais de uma gestação. Temos algumas doadoras mais antigas, que tiveram mais de uma gestação, que continuam fazendo pois não tem apresentado nenhuma reação”, cita Nádia. As gestantes ou mulheres até três meses após o parto também não podem doar, conforme o Inca.

Sobre a recuperação do doador, o organismo leva até 48 horas para repor a quantidade de plaquetas retiradas na doação. E não faz nenhum mal a quem doa, pelo contrário, Nádia cita que há um estímulo na medula óssea para a produção de mais hemocomponentes.

Depois de recolhido, o material doado vai para um local de armazenamento específico. “As bolsas de plaquetas ficam em temperatura ambiente, entre 20 e 24 graus, dentro de um equipamento chamado plaqueta mix, em agitação constante, por cinco dias no máximo”, finaliza Nádia.

Diário de Cachoeirinha
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