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Especial

Os 40 anos da luta pelo Rio Gravataí

Nesta sexta (14), a histórica Associação de Preservação da Natureza - Vale do Gravataí (APN-VG) completa 40 anos de fundação sem perder o protagonismo na luta pela preservação do rio
13/06/2019 12:17 13/06/2019 12:36

Foto por: Divulgação/APNVG
Descrição da foto: A primeira diretoria da APN-VG, em 1979
A cada turma de estudantes que embarca no barco-escola do Projeto Rio Limpo para percorrer o Rio Gravataí, carrega, sem perceber, uma bagagem de 40 anos naquele catamarã. O barco é hoje o símbolo da evolução do que começou, oficialmente, no dia 14 de junho de 1979, no salão do Colégio Dom Feliciano. Lá foi oficializada a abertura da Associação de Preservação da Natureza - Vale do Gravataí (APN-VG). Um grupo de defesa ambiental que já surgia com uma bandeira bem definida — a defesa do Rio Gravataí — e uma característica um pouco diferente do que marcava o movimento ambiental naquelas anos de ditadura.

"Nunca fomos um grupo fechado, com ambientalistas tradicionais. A APN foi a união de pessoas que estavam interessadas em proteger o nosso rio, independentemente da área em que atuassem. Então, lá na formação, tínhamos advogados, torneiro mecânico, caçadores, pescadores, professores, padres. Esta união de forças é que sempre levou o movimento à frente, com conquistas verdadeiras", valoriza um dos pioneiros, o técnico agrícola Paulo Müller, considerado um dos símbolos dessa luta.


E quando ele fala em conquistas, não é da boca para fora. Dois dias antes daquela reunião, a APN já se orgulhava da primeira vitória política do movimento. Após uma audiência com o governador José Amaral de Souza, a portaria 1079 foi assinada, proibindo o trabalho das máquinas que durante quase 20 anos destruíam a região do Banhado Grande na construção de um canal que beneficiaria os grandes arrozeiros da região.

"Sempre fomos uma entidade combativa, mas optamos, desde o início, por um enfrentamento pelo convencimento, com ações políticas ambientais. Se tornou uma marca da entidade e, de certa forma, é o que mantém a APN atual e com um papel muito importante ainda para o futuro, comprometidos em avançarmos ainda mais na linha da sensibilização às causas ambientais do nosso rio e avançarmos nas políticas públicas de proteção como forma de conter a caminhada do capitalismo em crise, que tenta atropelar tudo", diz a professora Tânia Peixoto, outra das personagens históricas da entidade.

Ela lembra quando, naquele junho de 1979, o doutor Floriano Torres, acompanhado por dois brigadianos, chegou até a fazenda Quatro Irmãos, em Glorinha, onde as máquinas trabalhavam, e leu a portaria recém publicada. Imediatamente, o processo de destruição do banhado foi cessado.

Aquela primeira vitória ficou marcada na memória da professora de história que foi naturalmente atraída para o movimento ambiental. Tânia já militava na resistência à ditadura militar.

"Aquelas obras faraônicas do regime militar já nos preocupavam. Eu comecei a conversar com o Alceu Flores, que era agente do Ministério do Trabalho e se tornou um dos grandes pensadores do nosso movimento, com o padre Sérgio Raupp e com o Paulo Müller. Começamos a nos reunir e desse grupo surgiu a ideia de formar uma entidade", conta.

A procissão por um rio

E como desde o início a luta da APN seria muito mais do que um grito em nome do Rio Gravataí, mas um movimento político, de fato, no ano seguinte, em 8 de junho de 1980, a entidade conquistava o seu segundo passo significativo. Uma procissão — era uma forma de driblar os limites da censura — pelas águas percorreu Gravataí alertando para a importância da região olhar para o rio. E foi um feito histórico. Na época, em todo o Vale do Gravataí havia 400 mil habitantes. A procissão reuniu oito mil pessoas.

No começo dos anos 1980, APN tomou a frente na organização do Ciclo de Estudos sobre Banhados do RS"Na procissão, ganhamos o respeito da sociedade que ainda não estava engajada na causa. Antes, fazíamos ações mais localizadas, entregando panfletos, publicando artigos e até articulando reuniões como a audiência com o governador, mas era preciso ganhar este respaldo popular. E conquistamos depois de um ano de organização", vibra o jornalista Cláudio Wurlitzer.

Na época, ele cursava o último semestre na faculdade de Jornalismo e, até ser procurado por Paulo Müller e pelo advogado Alceu Flores, confessa, nunca tinha ouvido falar sobre questões ambientais. Muito menos sobre a destruição das nascentes do Rio Gravataí.
"Me procuraram porque eu sabia escrever e poderia ajudar a propagar as ideias da APN. Organizei os estatutos e a assembleia de criação da fundação", diz.

É raro ver o Wurlitzer nas fotos antigas da APN. Na maioria das vezes, era ele quem fotografava, e hoje, é quem guarda a maior parte deste arquivo fotográfico. Mas faz muito mais do que isso pela entidade que é um símbolo na região. Ele é um dos educadores atuantes no barco-escola.

"Sensibilizar crianças e adolescentes para a temática ambiental é uma missão que manterá a entidade viva no futuro. E o fato de termos um barco e mostrarmos agora o rio de perto para eles faz toda a diferença. Muitas vezes, conversamos sobre o rio em sala de aula e muitas pessoas sequer sabem onde fica o Rio Gravataí", conta.

O Projeto Rio Limpo começou em 2012, e conta com o catamarã como uma sala de aula. Desde que o barco começou a ser utilizado, 13 mil pessoas já percorreram o rio embaladas pelas histórias que esta quarentona APN-VG não deixa morrer.

Diário de Cachoeirinha
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