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Economia

Sem a Pirelli, Gravataí perderá R$ 6 milhões por mês

Funcionários e sindicato foram surpreendidos pela notícia do encerramento da fábrica até 2021. Próximos meses serão de mobilização para que italianos fiquem em Gravataí
15/05/2019 13:50 16/05/2019 13:27

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Unidade de Gravataí deve fechar até 2021
Foi um balde de água fria nos planos de um operador de máquinas de 30 anos. A faculdade da esposa e dele agora terá de esperar. Assim como a possibilidade de botar os três filhos em escola particular. Ele foi um dos 900 empregados diretos da Pirelli surpreendidos, ao chegarem no trabalho, na última segunda-feira (13), com a notícia de que a fabricante italiana encerrará suas atividades em Gravataí no prazo de dois anos.

Este impacto na vida do morador do bairro São Geraldo, que antes foi funcionário da Epcos e sempre dependeu do bom rendimento das indústrias locais, terá o efeito de onda até 2021 na economia local, como projeta a prefeitura. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos de Borracha (STIAB), deixarão de circular na cidade pelo menos R$ 6 milhões mensais, que é o tamanho da folha de pagamento da unidade da Pirelli por aqui.


"Entrei na empresa há oito anos com o pensamento de todos os que convivem na Pirelli, o de me aposentar ali. Mas essa notícia foi uma surpresa, porque em nenhum momento ninguém comentou conosco que isso poderia acontecer. Ainda não sei até quando estarei empregado, e ninguém sabe ainda, mas estou tentando planejar o futuro da minha família em um novo horizonte, longe dessa crise de Gravataí", lamenta.

O operador tem parentes no interior de São Paulo, e admite procurar oportunidades por lá. Curiosamente, a unidade de produção de pneus para motos da Pirelli, ainda em funcionamento em Gravataí, irá para o mesmo destino, em Campinas.

"Tenho alguma esperança ainda de conseguir alguma transferência dentro da própria empresa, ou quem sabe na Prometeon, que fica no mesmo parque industrial. Ainda estou surpreso com tudo isso", diz.

Sete meses decisivos

Foto por: STIAB
Descrição da foto: Trabalhadores aceitaram o layoff há quatro anos
Nem mesmo os representantes dos trabalhadores imaginavam que o anúncio bombástico da semana pudesse acontecer. Tudo o que a direção do STIAB sabia era de que haveria uma reunião às 14h de segunda com a direção local da Pirelli. Não havia pauta definida.

"Eles nos apresentaram essa notícia, esclarecendo que era uma decisão de mercado, irrevogável, e que vinha da matriz da empresa. Foi muito surpreendente, porque isso nunca havia sido sequer cogitado, mesmo quando a Pirelli diminuiu a sua operação, com a entrada da Perometeon. Será uma perda gigantesca para a economia local e para a categoria. Hoje, 97% dos funcionários são filiados ao sindicato", comenta o presidente da entidade, Flávio de Quadros.

Conforme a empresa, as operações seguem normais até o final deste ano, e a partir de janeiro de 2020, a unidade será desativada aos poucos. Nenhum cronograma de desligamentos foi entregue até o momento ao sindicato, mas os próximos sete meses até o final de 2019 prometem ser uma corrida contra o tempo.

Já nesta semana o STIAB envia comunicados ao prefeito, aos vereadores, deputados estaduais e federais gaúchos e ao governador. A intenção, segundo Quadros, é aglutinar o maior número de forças políticas possíveis para convencer os italianos a retrocederem na decisão. E alguns movimentos já acontecem.

Em viagem a Londres, na Inglaterra, o governador Eduardo Leite reúne-se nesta semana com representantes mundiais da Pirelli. Por aqui, na sessão desta terça (14), os vereadores de Gravataí iniciaram a criação de uma frente parlamentar em defesa da Pirelli.

"É um patrimônio da cidade, uma empresa com 43 anos, que sempre foi referência. Além dos prejuízos econômicos, o impacto social de tantos desempregos será muito grande. Imagine que serão 900 pessoas, e mais 300 empregados indiretos, que deixarão de ter plano de saúde em Gravataí", aponta o presidente do sindicato.

Fábrica foi ampliada há 13 anos

Flávio de Quadros é funcionário no complexo da Pirelli desde 2000. Atualmente, é um dos empregados dos chineses da Prometeon, que assumiram a linha de produção de pneus para caminhões e máquinas pesadas. Uma unidade inaugurada ainda pela Pirelli em 2006, com direito á visita do governador Germano Rigotto (MDB), na época, e incentivos fiscais do Estado, pelo Fundopem. 

Foto por: Governo do Estado
Descrição da foto: Em 2006, Rigotto veio a Gravataí inaugurar a unidade de pneus pesados
Um dos presentes naquela inauguração era o atual prefeito Marco Alba (MDB), então deputado estadual. Pois na segunda, ele foi visitado pelos dirigentes da Pirelli, e deste encontro saiu, ao menos, uma ideia de que parte dos futuros desempregados da unidade poderão ser absorvidos pelos vizinhos chineses. Algo que, garante o sindicato, não tem garantia nenhuma.

"Nós soubemos disso e agora vamos exigir algum posicionamento oficial sobre essa possibilidade. Para nós, nada disso foi dito, nem como possibilidade", assegura.

É que logo depois do comunicado da Pirelli, os representantes sindicais se reuniram com a direção de recursos humanos da Prometeon e ouviram deles a única garantia de que as atuais operações em Gravataí serão mantidas. Não foi mencionada a possibilidade de expansão ou de uso das atuais instalações da Pirelli.

A Prometeon faz parte do grupo ChemChina, que é parceiro mundial da Pirelli. Por aqui, durante algum tempo a unidade funcionou conjuntamente, até que, em janeiro do ano passado, as duas linhas de produção no mesmo terreno foram tornadas independentes.

De acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda, a Prometeon é hoje a responsável pela segunda maior arrecadação de ICMS da cidade, enquanto a Pirelli ocupa a décima posição. Restando somente a unidade dos chineses no complexo de pneus, ainda assim, o imóvel seguirá respondendo pelo maior IPTU de Gravataí.

Diário de Cachoeirinha
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