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Cerâmica

Estádio Vieirão vai a leilão por dívidas trabalhistas

Palco do único time profissional da história de Gravataí pode ter final melancólico daqui um mês. Área, avaliada em R$ 20 milhões, teve penhora determinada pela justiça
13/05/2019 13:49 13/05/2019 13:49

Foto por: GES
Descrição da foto: Presidente Décio Becker ainda não jogou a toalha e tenta barrar leilão
Doze anos depois da profissionalização do Cerâmica, o clube de Gravataí, que chegou a almejar o retorno ao futebol profissional no ano passado, tem marcado, para o dia 12 de junho, possivelmente o mais melancólico capítulo da sua história. A área do estádio Antônio Vieira Ramos, o Vieirão, irá a leilão, avaliado em R$ 20 milhões, como forma de saldar uma dívida trabalhista de pelo menos R$ 372 mil.

O edital do leilão foi publicado pela Raupp Leilões, de Gravataí, com lance mínimo de R$ 10 milhões, atendendo a três determinações de penhora pela Justiça Trabalhista. Um mês antes do leilão presencial, ainda não foram registrados lances. No anúncio, publicado no site do leiloeiro, não constam os detalhes dos quase cinco mil lugares nas arquibancadas do estádio que já sediou até mesmo jogos do Brasileiro. Muito menos constam as glórias do acesso e das batalhas do Cerâmica no Gauchão. Constam somente as metragens frias do terreno de 2,2 hectares doado pelo município em 1962.

Mas a situação, de acordo com o presidente Décio Becker, ainda não está completamente definida.

"Eu ainda não joguei a toalha", ele garante.


Segundo Becker, haverá algumas reuniões nos próximos dias buscando alternativas para evitar o leilão judicial.

"Tínhamos um plano de vender parte do terreno, depois de regularizar algumas áreas invadidas, e cobrirmos algumas dívidas, mas ainda não conseguimos solucionar isso. Acabamos sendo atropelados pela justiça", admite.

O presidente tenta administrar o caos trabalhista nos últimos anos, desde que o clube saiu do cenário profissional do futebol gaúcho. Já foram pagos em torno de R$ 4 milhões em ações trabalhistas. Atualmente, além dos três casos que já chegaram à penhora, há outras quatro ações semelhantes contra o clube. Somada, a dívida ainda ultrapassaria R$ 1 milhão.

Três penhoras determinadas

A mais volumosa entre as que agora levam o estádio a leilão é a feita pelo volante Fábio Oliveira, hoje com 38 anos, que atuou pelo clube em 2014. A dívida neste caso chega a R$ 307,6 mil. Este caso, que tramita na Justiça do Trabalho do Estado, teve penhora determinada em janeiro deste ano. Na mesma data, outro processo movido pelo atacante Nicolas, que atuou pelo clube entre 2013 e 2014, e atualmente defende o Paysandu, teve a penhora solicitada. Nesta causa, o Cerâmica tem uma dívida de R$ 27,7 mil.

Foto por: GES
Descrição da foto: Estádio foi palco do acesso do Cerâmica
A primeira determinação de penhora dos bens do clube, no entanto, foi definida ainda no ano passado, na ação movida por uma cozinheira que trabalhou no Cerâmica entre 2011 e 2014. O clube foi condenado a indenizá-la em R$ 37,1 mil, recorreu e perdeu.

O Vieirão foi erguido no terreno doado pela prefeitura com a condição de que, em cinco anos, o clube deveria construir uma praça de esportes naquele local. O Cerâmica cumpriu e hoje é o proprietário da área. Como se trata do único patrimônio do clube, não há outro bem a ser penhorado.

"Esta é, sem dúvida, a minha maior decepção em ter entrado para o futebol. Nós temos certeza de que pagamos tudo direitinho a todos os jogadores, mas é uma parcela mínima que tem a hombridade de reconhecer isso. A maioria vai à justiça e leva praticamente todos os clubes do interior a esta situação", lamenta Décio Becker.

Aluguel cobre dívidas

Depois de ter servido como casa do Cruzeiro em pelo menos dois estaduais, atualmente o Vieirão é alugado ao Grêmio, que usa as instalações para jogos e treinamentos do time feminino. E isso dá, pelo menos, um alívio à administração do Cerâmica. É que o clube da Capital, desta forma, paga a conta de R$ 15 mil mensais de custo para manter a estrutura, e o restante do aluguel nem chega aos cofres do clube. De acordo com o presidente, todo o valor que entra está bloqueado para pagamentos das ações trabalhistas.

E se o leilão sair e o clube chegar aos R$ 20 milhões da avaliação do estádio, há possibilidade de retorno, de alguma maneira, ao futebol profissional?

"Não. Descartado completamente neste momento", resume o presidente.

Diário de Cachoeirinha
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