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Acessibilidade

Transformação da Flores da Cunha é exemplo para a região

Projeto de revitalização das calçadas da principal avenida de Cachoeirinha teve mais um trecho inaugurado. Ideia pode inspirar o centro de Gravataí
18/04/2019 16:00 18/04/2019 16:00

Foto por: Fernando Planella/Prefeitura de Cachoeirinha
Descrição da foto: Trecho de 95 metros de extensão foi inaugurado nesta quinta
Mais um trecho das calçadas-modelo de Cachoeirinha, desta vez com 95,5 metros de extensão, entre as ruas Anápio Gomes e Doutor Nilo Peçanha, foi inaugurado no começo da tarde desta quinta-feira (18). Com isso, já são 876 metros da principal avenida da cidade revitalizados e plenamente acessíveis. A perspectiva é de que outros 260 metros sejam entregues em pouco tempo, já que o trecho entre a Avenida Lídio Batista Soares e o Supermercado Nacional está em fase de estudos, e, entre as ruas Doutor Nilo Peçanha e Afonso Pena, em obras.

O projeto, que é o principal cartaz do Cachoeirinha, eu amo, eu cuido, é o modelo concreto do que na cidade vizinha, Gravataí, ainda se ensaia para acontecer daqui seis meses. Atendendo a uma ação civil pública, o município vizinho tem prazo para remodelar o calçamento da área central. O projeto de acessibilidade já está em fase final, e a conta, como determina a lei, será paga pelos proprietários de cada um dos terrenos onde haverá calçamento transformado. Em Cachoeirinha, são eles que pagam pela mudança, mas uma parceria foi concretizada.

"Temos evoluído na acessibilidade das nossas calçadas graças a um processo permanente de diálogo e convencimento. Claro que há casos pontuais de resistência, mas, de uma maneira geral, a aceitação e os resultados deste projeto são excelentes", conta o prefeito Miki Breier (PSB).

Os empresários de cada trecho a ser revitalizado cotizam-se no pagamento do material para melhoria da calçada. A prefeitura entra com o projeto e a mão de obra.

"Era uma mudança que a cidade exigia há 20 anos. Um clamor que, quando assumimos o governo, precisávamos resolver, mas o governo sozinho, não teria como custear as obras. A Associação Comercial (ACC) teve um papel fundamental em perceber que a qualificação da Flores da Cunha seria benéfica a todos", diz o prefeito.

Foto por: GES
Descrição da foto: Calçamento foi transformado em boa parte da Avenida Flores da Cunha
Ainda não é possível mensurar o retorno á economia do município — seja em perdas evitadas com a melhoria estrutural ou em ganhos com o novo visual —, mas, como reflete Miki Breier, a diferença é perceptível no dia a dia.

"Na quadra entre as ruas Clóvis Pestana e Rui Ramos, não tinha dia em que alguém não tropeçava em raízes de árvores ou buracos na calçada. Eram reclamações que chegavam à prefeitura e afastavam público do comércio local. Hoje, até a fachada do restaurante que existe ali foi qualificada pela mudança. Mudanças como essa nos mostram o custo imensurável de não fazê-las", aponta.

Gravataí tem prazo curto

Se por mais de um quilômetro o caminho dos pedestres de Cachoeirinha estará facilitado, a aposentada Flora Schmitz, 62 anos, não tem moleza ao sair de casa, no centro de Gravataí. Ela conta que, outro dia, chegou a perder o calçado em um dos tantos buracos das calçadas.

"Estava caminhando meio distraída e tropecei. O calçado de um dos pés ficou para trás. Se para nós já é difícil caminhar na calçada, às vezes é difícil até atravessar a rua porque o meio-fio é irregular e as rampas também têm buracos, imagina para um cadeirante?", diz a Flora.

Faz dez anos que o Ministério Público cobra da prefeitura uma solução para o calçamento irregular da cidade em uma ação civil pública, e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) chegou a ser assinado naquela época, mas não foi cumprido. Agora, finalmente, um projeto orçado em R$ 150 mil, feito pela Tranzum Consultoria de Trânsito, para tornar o quadrilátero central da cidade, que abrange 11 ruas, completamente acessível, com o passeio público padronizado, está em fase final. Concluído o projeto, a prefeitura autuará os proprietários de imóveis desta região para que adequem seus calçamentos de acordo com o que for proposto.

No centro, projeta o secretário de Desenvolvimento Urbano, Cláudio Santos, estará o pontapé inicial da transformação das calçadas de Gravataí. E o avanço também já está com marcação cerrada pelo MP, segundo o secretário.

"Já estamos sendo cobrados para autuarmos nas áreas de grande fluxo, como a Morada do Vale e o Parque dos Anjos. Em 60 dias, no máximo, teremos finalizado o projeto conceitual e o levantamento da área. Depois, teremos um cronograma para as mudanças", explica o secretário.

Foto por: GES
Descrição da foto: Calçada em frente a loja de calçados, na José Loureiro da Silva, virou prova de obstáculos
A exigência da justiça, em notificação entregue à prefeitura neste mês, agora é de seis meses para o projeto sair do papel. Em 2009, quando a modernização das ruas centrais chegou a ser planejada, o custo estimado das obras era de R$ 11 milhões, e hoje estaria em R$ 20 milhões. Uma conta dividida, em cada lote, por seus proprietários. De acordo com a Secretaria Municipal Mobilidade Urbana, diariamente, pelo menos 30 mil pessoas caminham pelas ruas centrais.

"Teremos a área acessível, padronizada e mais valorizada", diz o secretário de Mobilidade Urbana, Alison Silva.

Atualmente, um dos exemplos de como o calçamento não pode ser está justamente diante do prédio da prefeitura. A calçada estreita, com algo em torno de 1m20min, é de pedras irregulares, sem um piso que favoreça deficientes visuais, por exemplo, e, de quebra, ainda há uma placa de sinalização como obstáculo.

Conforme o projeto, praticamente todas as ruas afetadas terão o chamado piso tátil direcional — aqueles pisos com material antiderrapante, com linhas e circulos, indicando a direção a seguir e o alerta de parada ao pedestre —, que já é visto em alguns calçamentos, mas sem qualquer padronização.

As normas nas quais o projeto está baseado determinam que, contando com este trecho de piso diferenciado, o calçamento deve ter 1m50cm de faixa livre —em casos extremos, é aceito 1m20cm —, e com um piso liso, para o passeio público. Algo pouco provável na atual estrutura da Rua Doutor Luiz Bastos do Prado, por exemplo, onde dificilmente mais de duas pessoas lado a lado conseguem ocupar a calçada.

A consequência pode ser tão prejudicial quanto um buraco pela irregularidade do piso. Sem espaço de recuo, a rampa que deveria significar acessibilidade, no meio-fio a esquina com a Rua Adolfo Inácio Barcelos é quase reta. Para descer e atravessar a rua, só saltando. E do outro lado da faixa, até há uma rampa mais próxima dos padrões de acessibilidade, mas as duas não estão em linha reta.

Nos modelos já finalizados do projeto, há previsão de que boa parte das rampas sejam refeitas, assim como as faixas de pedestre e bocas de lobo fora do padrão, e que representam obstáculos, nas vias do centro. No caso de ruas com calçamento estreito, o plano é ainda mais ousado. A ideia é ampliar o calçamento, justamente para haver espaços às rampas de acessibilidade, havendo estreitamento de pista em trechos específicos.

Quem sabe com um novo padrão nas ruas, as caminhadas das manhãs da Flora, com o marido Carlos Motta, 74 anos, também aposentado, sirvam para olharem as vitrines do comércio, mais do que aos buracos por onde passam.

Quem sofre com essa concorrência desleal é a Edite Rosa, 65 anos, gerente de uma loja de calçados a poucos metros da prefeitura. No acesso à lojinha, há até uma rampa de acesso. Difícil é chegar a esta rampa. A calçada de pedrinhas está tomada de remendos. São três tipos de tampas de boeiros só em frente àquele endereço, e cada uma com altura diferente da outra. Quem tentar espiar os sapatos, sempre corre o risco de tropeçar.

"Transformar a nossa calçada não seria um custo, mas um investimento, sem dúvida", diz a comerciante, que é locatária do imóvel.

Como determina a legislação, a conta da acessibilidade do passeio público é do proprietário. E, no que depender dos empresários locais, será um pagamento muito bem aplicado.

"É uma transformação que estamos propondo e somos favoráveis desde a década de 1980. Tínhamos a ideia até mesmo de retirar os postes em algumas ruas específicas, deixando a fiação subterrânea. É claro que haverá um custo, mas o retorno econômico para todos, proprietários e lojistas, será imenso com um centro mais atrativo", avalia o presidente da Acigra, Régis Albino.

Diário de Cachoeirinha
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