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Luiz Coronel

Brasil, um país perplexo

"O pleito 2018 foi um verdadeiro tsunami político. Nossos 'cientistas políticos' ficaram gagos e vacilantes"
25/11/2018 07:00

Luiz Coronel Luiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

1. Há de se ter os pés no chão e a imaginação sob freios para se pensar ou escrever sobre nosso País. Somos uma democracia trêmula, para não dizer instável. O pleito 2018 foi um verdadeiro tsunami político. Nossos "cientistas políticos" ficaram gagos e vacilantes. Lideranças calejadas e poderosas se viram de mãos vazias. As edificações partidárias foram por água abaixo, arrastadas pelas águas de outubro. Nada será como antes, ou tudo não passará de uma nuvem passageira, como cantava Hermes Aquino?

2. Não é em vão que o ponto de interrogação tem a forma de uma orelha! Como? Como um homem sozinho, dando signos e sinais de uma metralhadora nas mãos, contando com quatro minguados deputados em sua legenda, se impõe sobre toda a safada e rebuscada montagem partidária com assentos no parlamento nacional? Como? Mas como um homem sem as benesses dos poderosos ou a cobertura dos grandes veículos de comunicação se elevou sobre todas as forças adversas e venceu o enigmático pleito 2018?

3. O medo dorme tarde e acorda cedo. A melhor análise que consigo visualizar nesta selva de interrogações está contida nos procedimentos da esquerda e da direita, em territórios local e internacional. Enquanto a esquerda tangia as cordas e no rufar dos tambores ressoava nas questões relativas ao direito de minorias, imigrantes, LGBTs e outras questões fracionadas, a direita bateu numa tecla constante e sensível: a grande insegurança do mundo e, em nosso caso, o índice de violência que machuca o rosto do País e nos assombra a cada dia, cada vez mais.

4. Sessenta e um mil assassinatos em um ano. Assaltos em nossas ruas, sobre nossas famílias, nossa casa. Narcotráfico. Crime organizado e outras tórridas esculhambações. No combate frontal à violência, somando-se com a corrupção sistêmica, a direita ganha a rapadura. Aqui e acolá. Nossa esquerda, pelo qual nutro, em igual dosagem, simpatia e retumbantes críticas, carece totalmente de autocrítica.

5. Colou-se à imagem de Bolsonaro todos os defeitos humanos cabíveis, reais ou imaginários, que se possa inserir sobre uma biografia. Inutilmente. Caravanas, aviões, militantes, ostentar e esconder o mito encarcerado, de nada valeu. O candidato esfaqueado, do hospital ou de seu pátio, com mensagens claras em produção capenga, se elevou, irresistivelmente.

6. O livro de nossa história está aberto em uma página em branco. O que escreveremos é responsabilidade comum. O Brasil, hoje, é um país perplexo. O radicalismo e a dúvida convivem com a esperança. Ferida nos flancos, mas teimosa e viva.


Diário de Cachoeirinha
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