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Gilson Luis da Cunha

Os deuses astronautas de domingo à tarde

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (Data estelar 23092018)
23/09/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.gilsonluisdacunha.com.br

"Existem aqueles que creem que a vida aqui começou lá em cima, bem distante no universo, com tribos de humanos que podem ter sido os antepassados dos egípcios, ou dos toltecas, ou dos maias, seres que podem ser irmãos do homem e que até agora lutam para sobreviver em algum lugar muito além daqui." Com essa narração em off, com uma trilha sonora cheia de mistério e com o espaço sideral ao fundo, iniciavam os episódios da épica série de TV Battlestar Galactica, que, na última terça feira, completou quarenta anos de sua estreia na TV americana.

O ano era 1978. Star Wars tinha conquistado o mundo um ano antes e a ficção científica conquistava de vez o seu lugar na cultura pop. Glenn Larson, um prolífico criador de programas de TV americano, resolveu criar um épico de space opera para a TV que rivalizasse em grandeza com a saga de George Lucas. Com o mesmo John Dykstra que estivera à frente dos efeitos especiais de Uma Nova Esperança, e música de Stu Philips, regendo a filarmônica de Los Angeles, o seriado tratava de uma civilização humana em outra galáxia, cujos planetas, as doze colônias, para ser mais exato, tinham sido destruídos por uma raça de máquinas vivas, os cylons (cilônios, na versão brasileira). Liderados pelo comandante Adama (Lorne Greene, de Bonanza), os sobreviventes da raça humana se reúnem numa frota improvisada de naves civis, protegida pela Galactica, a (pelo menos no início da série) última remanescente da armada colonial, fugindo dos cylons, enquanto procuram a décima terceira colônia perdida, conhecida como Terra.

A recepção dividiu público e crítica. Houve aqueles, como o escritor Isaac Asimov, que odiaram. Para o autor de Eu Robô e Fundação, a série era sensacionalismo barato, uma cópia de Star Wars, só que sem as partes boas. Seu editorial na Isaac Asimov Magazine sobre o programa de TV ainda é destruidor, quarenta anos depois.

O Governo soviético, na época, disse que a série era uma metáfora do mundo capitalista contra a difusão do socialismo. Tanto Asimov quanto os russos estavam errados. Na verdade, o seriado se inspirava nitidamente nas ideias de Erich Von Daniken e seu livro Eram Os Deuses Astronautas?, combinadas com o próprio meio cultural de Larson. Como um mórmon, Larson se interessava muito por estudos das linhagens das tribos de Israel. Ele usou a mesma estrutura, 12 tribos, doze planetas, para compor uma história. Desse modo, Adama seria como Moisés, guiando seu povo rumo à Terra Prometida.

Foto por: Reprodução
Descrição da foto: Imagem de divulgação do seriado Galactica
A série contava ainda com Richard Hatch, como o capitão Apollo, filho de Adama, um heroico piloto de caças estelares, seu amigo, o tenente Starbuck (Dirk Benedict), um extraordinário piloto, porém um trambiqueiro e levemente cafajeste, Terry Carter como o coronel Tigh, o segundo em comando, Maren Jensen, como Athena, filha de Adama e também oficial na ponte da Galactica, entre outros.

A Galactica, de certo modo, era como um gigantesco porta-aviões espacial, um conceito que a série tomou emprestado tanto de Star Wars quanto de batalhas da Segunda Guerra Mundial, principalmente da guerra no Pacífico. Perto do final da temporada, alguns episódios chegaram a sugerir ganchos para uma temporada seguinte que nunca chegou a ser produzida. A CBS, que exibia a série, passou a mudá-la de horário em sua grade, fazendo com que o público casual, não o dos fãs de ficção científica, perdesse o interesse. Isso somado ao alto custo de produção dos episódios na época, decretou o fim da série.

No Brasil, a série foi exibida originalmente pela Rede Globo, nos domingos à tarde, em 1980. Eu me lembro de ir até a casa de meu avô, que, ao contrário de nós, tinha TV colorida, apenas para me deliciar com aquele espetáculo. Ver Galactica no domingo à tarde era quase uma experiência mística, embalada pelo clima épico daquela trilha sonora.

A série viria a ser reprisada depois pela Record e pela extinta TV Manchete em sua Sessão Espacial e, depois, pela TV Guaíba de Porto Alegre. Eu me lembro que ficava furioso no tempo daqueles domingos na Globo, quando, sem qualquer explicação, a exibição era cancelada para apresentação de Bragantino x 15 de Piracicaba ou algum outro “jogão de bola”. A inexistência de vídeo cassete (o que é isso? É de comer?) só tornava tudo pior.

Em pleno século 21, a série chegou a ser novamente exibida com sua dublagem original, ou o que sobrou dela, no canal por assinatura TCM. Houve também um lançamento em DVD, uma edição limitada, e cara, que, como costuma acontecer, não fez justiça ao box original, cheio de extras e encartes interessantes. Houve uma nova série em 1980, totalmente esquecível, que muitos, erroneamente, pensam se tratar da segunda temporada.

Em 2003, Ronald Moore, egresso (o termo correto seria expulso) da franquia Jornada Nas Estrelas, resolve reinventar Battlestar Galactica para uma nova geração, em uma minissérie que viria a ser o piloto de uma bem-sucedida série com quatro temporadas, estrelada por Edward James Olmos (Blade Runner). O clima místico, bem mais sutil, nessa versão é turbinado com a paranoia da guerra ao terror que assombrou os norte-americanos após o onze de setembro de 2001. Durante a última década muito se falou em uma adaptação para o cinema, que contaria até com a direção de Bryan Singer (X-Men), mas a Universal, dona dos direitos da série, nunca conseguiu encontrar um consenso.

Mas a série original nunca morreu no coração dos fãs. Atualmente, está em produção uma minissérie em quadrinhos a ser publicada pela Dynamite Comics, e ilustrada por um fã do original, o prestigiado artista brasileiro com diversos trabalhos para a Marvel e a DC Daniel HDR. As prévias prometem e mal posso esperar para ver o resultado final. Vida longa e próspera e que a força (e os senhores de Kobol!) estejam com você. Até a semana que vem.



Diário de Cachoeirinha
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