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Uruguai

O eterno estádio Centenário

Sede da final da Copa do Mundo de 1930 é um dos pontos turísticos mais importantes da capital Montevidéu
15/08/2018 07:00

Alguns locais carregam tanta história que têm o poder de fazer a gente voltar no tempo. Tive tal sensação no Coliseu, nas ruínas de Pompeia, e no antigo Maracanã, em 1995, antes da violação arquitetônica cometida nele para a Copa de 2014. Voltei a sentir o mesmo agora em julho, em Montevidéu, no Uruguai, quando conheci o Estádio Centenário. Principal palco da primeira Copa do Mundo, em 1930, e sede da final entre Uruguai e Argentina. A sede que consagrou os anfitriões como os primeiros a vencerem um mundial de futebol. Do lado de fora, dá pra ver que o Centenário foi erguido há quase um século. Pra ser exato, há 98 anos. Os pequenos tijolinhos à vista denunciam que a obra é antiga. Pintados de celeste, cor eternizada nos gramados pelos uruguaios, garantem um charme especial no visual. As minúsculas e antigas bilheterias embutidas nas paredes, com grossas barras de ferro, também estão lá. Dentro está o Museu do Futebol, que pode ser visitado de segunda à sexta, das 10 às 17 horas, por 200 pesos locais (perto de 25 reais). Não é grande, nem interativo. Nada tecnológico (ainda bem). Mas contém diversos artigos históricos de seleções e doações de alguns dos maiores jogadores de futebol. O grande barato da visita, porém, é sentar nas tribunas e admirar a obra. Se possível, com um mate. A visão do campo não é tão boa quanto nas novas arenas, óbvio. Mas quanta coisa se passou nesta cancha? Quantas Libertadores decididas? Quantas jogadas de craque? Quantas finais de Copa América? Quantos clássicos Peñarol x Nacional? Não adianta. Certas coisas não podem ser forjadas. Uma delas é a sensação de visitar um estádio como o Centenário. Que a Fifa não invente de depená-lo para o mundial de 2030 e nem os uruguaios permitam o que nós deixamos que fizessem com o Maracanã.


O mito Obdulio Varela

Em entrevista ao canal ESPN, certa vez, o então zagueiro do São Paulo, Diego Lugano, foi perguntado se ‘brincava de ser’ Obdulio Varela quando pequeno. “Com Deus não se brinca”, limitou-se a responder ele, sério. De fato, Varela é um mito do futebol uruguaio, considerado um dos maiores jogadores da história no país. Capitão de sua seleção na Copa de 1950, foi o símbolo do Maracanazo, quando o Uruguai derrotou o favoritíssimo e já declarado campeão do mundo, antes da final, Brasil. Diz a lenda que teria “vencido o jogo no grito” e dado um tapa em Bigode, jogador brasileiro, pra intimidá-lo. Após a final, Obdulio saiu pra beber em bares do Rio (naquela época, jogadores não eram celebridades). Varela chegou a consolar brasileiros que choraram em seu peito, declarou em entrevistas posteriormente. Naquela noite de 16 de julho de 1950, ele entendeu o que significou aquela derrota. Tanto que evitava tocar no assunto quando encontrava brasileiros. No museu do Centenário, um busto de Obdulio está na frente de sua camiseta usada naquela final de 1950. Número cinco vermelho no manto celeste. Atrás, uma foto gigante do Maracanã lotado, com cerca de 200 mil pessoas que esperavam ver o Brasil campeão. Varela morreu em 1996.


Bola da final

Em 1930 ainda não havia fornecedor oficial de material esportivo para a Copa. Jabulani, então, nem pensar. E no dia da grande final daquele mundial entre Uruguai e Argentina, nenhum dos países queria abrir mão de disputar a partida com a sua própria bola. Pra resolver o impasse, um sorteio definiu que o primeiro tempo seria jogado com a bola argentina e o segundo, com a uruguaia. Coincidência ou não, a primeira etapa terminou 2 a 1 pra Argentina. Mas atuando com a própria bola, os donos da casa viraram no segundo tempo. O jogo terminou 4 a 2 para o Uruguai. Outra curiosidade importante sobre o Centenário é que o estádio abrigou nada menos do que 10 dos 18 jogos daquele primeiro mundial. Ao todo, só três estádios foram utilizados: Centenário, Pocitos (demolido há 80 anos) e o Parque Central (este ainda em pé, casa oficial do Nacional).


  • Fachada externa com tijolos
    Foto: Samuel Bizachi/Especial
  • Busto de Obdulio Varela no Museu do Futebol
    Foto: Samuel Bizachi/Especial
  • Arquibancadas
    Foto: Samuel Bizachi/Especial
  • Fachada da época
    Foto: Samuel Bizachi/Especial


Diário de Cachoeirinha
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