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Luiz Coronel

A esperança entra em campo

"Nossa alma é uma bola que rola nos pés e nas cabeçadas de nossos atletas, verdadeiros embaixadores de nossos países"
24/06/2018 06:30

Luiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

1. De repente, não mais que de repente, a esperança entra em campo e a realidade vai para o banco de reservas. É o Campeonato Mundial. A civilização digital, esse grande cassino em que se tornou o mundo, esmoreceu o significado da palavra nação. Seria uma orfandade universal se não tivéssemos algumas alças para nos segurar. Nosso pertencimento, sem o qual estamos desgarrados, elege o futebol como elo, vínculo, ponto e pesponto que nos une e identifica. Nossa alma é uma bola que rola nos pés e nas cabeçadas de nossos atletas, verdadeiros embaixadores de nossos países.

2. Tenho uma aversão descomunal a este “com o brasileiro, não há quem possa”. Foi ele que nos conduziu ao amargo 7x1, Brasil versus Alemanha, em 2014. Este oba-oba triunfal, vitória por antecipação, como se enfrentássemos delegações de pernas-de-pau, prontas a entregar de mão beijada a Copa do Mundo Fifa a nossa delegação canarinho. Na minha forma de sentir e avaliar o que se passa ao meu redor é uma atitude ao mesmo tempo afoita e amadora por parte de quem a pratica e alardeia.

3. Encontro na Copa mundial um significado magnífico para nossa realidade humana. Percebo que meninos de origem humilde, filhos de faxineiras e domésticas, motivados e disciplinados, assumem, em alto estilo, suas reais responsabilidades. Isso desmonta aquele conceito equivocado que coloca nosso povo como responsável pela avalanche de turbulências que nos envolvem. Repito-me, lembrando o texto de nosso genial Machado de Assis: “O País real, esse é bom; mas o País oficial, esse é caricato e burlesco”. Transfiram os recursos surrupiados pelas maracutaias e mordomias para a educação e veremos o sol da pátria brilhar no mesmo instante.

4. Consta que a seleção alemã e sua delegação viajaram para a Rússia em voo comercial, sem nenhuma benesse excepcional. Nós, fretamos aviões, estendemos tapetes vermelhos, somos pródigos a nababescos, incuravelmente. O que mais me deslumbra nos esportes, em que pese a presença do fortuito e do acaso, é a vitória da eficiência sobre as tramoias, bem ao contrário do que acontece no jogo do poder, sobre os tapetes palacianos. A taça não está a nossa espera, vamos buscá-la com suor e competência, para alegria de nosso povo sofrido.


Diário de Cachoeirinha
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