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Gilson Luis da Cunha

Everybody hates Wade (Só que não!)

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 27052018)
27/05/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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Deadpool 2

Essa sexta-feira marcou a passagem de mais um dia mundial do orgulho nerd, também conhecido como o dia da toalha, em homenagem ao grande Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias. Pensando nisso, busquei um tema relacionado ao mundo nerd/geek que se encaixasse nessa data e, se possível, que tivesse alguma ligação com um assunto em evidência. Nos cinco anos nos quais venho escrevendo essa coluna, já falei de temas ligados às origens da comunidade geek, de sua cultura, e de seus maiores ícones, como o cinquentenário de Star Trek, em 2016, e os 40 anos de Star Wars, no ano passado.

Pois bem, esse ano, eu resolvi deixar o acaso me guiar. E ele me levou até uma sessão de cinema, na qual pude assistir a um dos mais polêmicos ícones dos quadrinhos, que acaba de ganhar sua segunda adaptação para o cinema. Falo dele, o mercenário boca-suja, falastrão, mala-sem-alça, completo pentelho e sem noção e o cretino mais amado e odiado dos quadrinhos: Wade Wilson, também conhecido como Deadpool.

Se o primeiro filme do personagem já provocou a ira de muitos adeptos do politicamente correto, o segundo, simplesmente arrebentou a boca do balão. Que Ryan Reynolds nasceu para fazer esse papel, ninguém duvida. O que muitos duvidavam é que ele e a equipe responsável por essa continuação conseguissem fazer uma sequência ainda mais engraçada (e ultrajante) que a primeira. Falem o que quiserem de Wade Wilson. Mas jamais poderão dizer que o cara é machista, racista e homofóbico. Ele prova isso ao montar uma equipe diversa, inclusiva e hilária, como ele mesmo, a X-Force (que não necessariamente tem algo a ver com sua homônima nas HQs). Dito isso, ele pode zoar quem bem entender.

Na sequência do filme de 2016, Wade começa o filme numa cena tragicômica onde destila sua indignação com outro ícone mutante Marvel por ter ido "onde nenhum super-herói já foi antes" e resolve tomar providências a respeito, com uma explicação em flashback que consegue ser, ao mesmo tempo, constrangedora e hilária. Tudo bem. Eu concordo. Wade Wilson NÃO é um Capitão América. Sejamos francos. Moralmente falando, ele não chega a ser nem um Gavião Arqueiro. O cara é todo errado. Um boçal, demente, sem-noção, do tipo que faz Peter Quill e Rocket Racoon parecerem modelos de conduta. Mas, convenhamos, o cara é esforçado.

De seu modo tosco, desagradável, revoltante, mas sempre engraçado, ele faz o possível para salvar o jovem Russel (Julian Dennison) da morte pelas mãos do ciborgue mutante Cable (Josh Brolin, ainda aquecido por sua performance de Thanos, em Vingadores, Guerra Infinita). Vítima de abuso em um orfanato para crianças mutantes, Russel é mandado para uma prisão de segurança máxima por não conseguir controlar seus poderes e sua sede de vingança contra o diretor da instituição.

Para piorar as coisas, Deadpool, tentando se virar como X-man sob a tutela do nobre e politicamente correto Colossus (Andre Tricoteux) falha miseravelmente, complicando a vida dos pupilos do Professor Xavier e a do pobre menino que devia ter ajudado. Após passar por uma terrível perda, Deadpool, terá que encarar responsabilidades, entender o significado do amor, da família e, talvez, seu maior desafio, conter sua irrefreável propensão a soltar piadas infames nos momentos mais impróprios. E isso, gente, é como pedir ao Roger Rabitt que fique bem quietinho enquanto tocam "O Carrossel Quebrou".

O filme conseguiu a proeza de ser bem mais louco do que sua história de origem, coisa que pode incomodar os fãs mais convencionais do gênero. Na verdade, a reação de muitos geeks amigos meus foi o que me motivou a escolher Deadpool como tema desta coluna do dia da toalha. Ouvi comentários que mais pareciam ter saído das bocas contorcidas num esgar de desprezo de críticos de cinema dos anos 70, daqueles que usam boina francesa e cachecol, camisa gola rulê e que ainda fumam cigarro Gitanes (hein?). Menos, gente. Menos.

Nós, nerds, geeks, ou simplesmente fãs de cultura pop, muitas vezes nos levamos a sério demais. Ficamos preocupados com o fato dos Thundercats virarem um bando de cartoons fofinhos criados por caras veganos que usam barba de lenhador e coque samurai, mas não damos a mínima para o fato de que já fizeram coisa muito pior com outros personagens. É, gente. Vamos assumir. Nem sempre somos coerentes. Se até o Coringa, um tremendo de um*#@$%* que bate na namorada, mata aleatoriamente, e sempre escapa do Asilo Arkham, tem a sua base de fãs, porque um cara como Deadpool não pode ter? Ele não tem culpa de ter sido criado por Rob Leifeld (pronto, falei!). Ninguém é perfeito.

Além disso, diferente de Frank Castle, o Justiceiro, DP ameniza o clima deprimente da maioria das histórias de vingança com um pouco de bom humor. Não o sádico humor do Coringa, o deboche insano do vilão para com suas vítimas inocentes, mas sim a tiração de sarro, o justo esculacho de um herói (ou quase isso) em cima dos vilões. Sim, porque não basta vencê-los. É preciso trolá-los. E nisso, Deadpool é um mestre incontestável.

Mas não se enganem. Deadpool pode ser um imbecil, doente, e levemente amoral. No fundo, ele é um cara romântico, gente boa, e até família, de um modo bem esquisito, mas, ainda assim, um cara de família. Que o digam o taxista Dopinder, Dominó, a mutante sortuda que é um cruzamento de Cleopatra Jones com o Gastão da Disney, Guria Negassonic-Míssil-Qualquer Coisa, Fuinha, Colossus, e tantos outros (sem spoilers!).

Gurizada abaixo dos 16 anos: Lamento, mas esse filme não é para vocês. Conselho: Façam uma sessão em casa, no dia de seu aniversário de 16 anos, sob a orientação de um adulto responsável. Mas, por favor, não façam isso na frente da mamãe, da vovó ou da titia (tenham critério! Se a vovó for uma motoqueira hardcore, pode até gostar). Tenho certeza de que seria épico. Seria, sei lá, algo como assistir o Pica-Pau maluco (aquele, dos anos 40) enfrentar o Pernalonga.

Por falar nisso, não saia do cinema até rolar a cena na qual o mercenário falastrão realiza o sonho de 11 entre 10 marvetes (e de alguns DCnautas, também): nada mais, nada menos do que a melhor cena pós-epílogo de todos os tempos. Sério. Juro que não é piada. Vá e veja. Mas assista com discrição. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Diário de Cachoeirinha
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