Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Av. Dorival Cândido Luz de Oliveira, 6423 (parada 63) - Monte Belo - Gravataí - CEP: 94050-000
Fones: (51) 3489-4000

Central do Assinante: (51) 3600.3636
Central de Vendas: (51) 3591.2020
Whatsapp: (51) 99101.0318
PUBLICIDADE
Luiz Coronel

Cabeceando a lua cheia

"A Coleção Dicionários hoje alcança cerca de cinquenta mil exemplares, em treze edições sucessivas"
27/05/2018 06:30

Luiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

1. É outono, o Rio de Janeiro une as estações como quem prepara e serve em um pires queijo com goiabada. Ipanema resplandece num sol escancarado. Tenho pouco mais de uma hora para mergulhar neste mar de uma indefinível coloração, onde se fundem o luminoso azul e a esplêndida tonalidade esmeralda. A arcada de brancas espumas sorri para a cidade. Trago a nobre missão de autografar o Dicionário Carlos Nejar, Um Homem do Pampa em companhia do nobre poeta dicionarizado. O Petit Trianon é o espaço mais resplandecente da Academia Brasileira de Letras. O tempo ali preserva sua memorável grandeza.

2. A Coleção Dicionários hoje alcança cerca de cinquenta mil exemplares, em treze edições sucessivas. Os exemplares são distribuídos, gratuitamente, entre instituições culturais do País. Trata-se de uma realização do Grupo Zaffari, tendo por alicerce editorial um projeto de minha autoria. Podemos afirmar, com justo recato e grata convicção, que se trata de um dos mais consistentes projetos editoriais do País. Os dicionários Machado de Assis e Guimarães Rosa também tiveram digno lançamento na ABL e no Senado da República.

3. Retomo o fio da meada e volto a falar sobre o Rio de Janeiro. Caminho pelo calçadão da Viera Souto. Fôssemos nos submeter ao alarme dos noticiários compraríamos colete à prova de balas e levaríamos em nossa companhia dois guarda-costas armados até os dentes. A cidade tem e mantém sua incontida dramaturgia empoleirada nas suas mil favelas. Aqui embaixo, na zona sul, os bares seguem repletos. Noite alta caminhei pelo Leblon por meia légua, sentindo-me seguro e contagiado pela vitalidade de um povo que não abdica de seu compromisso com a alegria de viver. Sob a luz dos holofotes, jovens jogando bola ao longo das praias, cabeceando a lua cheia, que no céu estrelado sorria.

4. Existe uma tênue indicação de meu nome à Academia Brasileira de Letras. Indicação não é candidatura. Sei que não chegaria à casa de Machado de Assis de mãos vazias. Mas... galinha cantando não é gemada no caneco. O episódio Mario Quintana me serve de lição. Ultimamente a ABL concede suas cadeiras a economistas, cineastas, juristas e, quem sabe, ao cogitar a eleição em um escritor (a) lembre o Rio Grande, este Estado ao sul de si mesmo, tão vital e criativo. O eixo Rio/São Paulo mantém-se possessivo em seu monopólio de informação e reconhecimento, tendo o restante do Brasil como mero elemento geográfico. O Rio Grande, vamos e venhamos, constitui-se num encantador espaço sulino, onde se come churrasco e se dança a chula. E somos bem mais do que isso...


Diário de Cachoeirinha
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE