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Política

Lula passa primeira noite preso em Curitiba; confrontos deixaram 9 feridos

Confusão ocorreu durante chegada do ex-presidente Lula
08/04/2018 08:42 08/04/2018 08:42

Mauro Pimentel/AFP
Lula chega à superintendência da PF em Curitiba
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou sua primeira noite preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde começará a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão pela condenação no caso do triplex do Guarujá. Manifestantes favoráveis a Lula fizeram uma vigília perto da superintendência. Ainda ontem, no momento da chegada de Lula ao local, houve um confronto que deixou nove pessoas feridas. Apoiadores do petista tentaram entrar no prédio e agentes da PF reagiram com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Entre os feridos há um policial militar.

O tumulto começou quando o helicóptero que trazia o ex-presidente pousava no heliponto da PF. Segundo o comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar de Curitiba, tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, o estopim foi a explosão de duas bombas onde estavam os manifestantes favoráveis ao petista. O comandante afirmou que a Polícia Federal reagiu com gás lacrimogênio.

Em seguida, manifestantes decidiram atirar pedras e paus contra os policias militares que estavam no local. Um deles foi ferido com um soco no rosto. Os PMs então revidaram com tiros de bala de borracha para dispersar a confusão. Carmo afirmou que, apesar do tumulto, o esquema de segurança era adequado para a situação. Ainda assim, alguns incidentes foram reportados ao longo do dia, como cenas de hostilidade contra profissionais da imprensa e não houve intervenção por parte dos policiais.

Dos oito manifestantes feridos, três foram encaminhados a hospitais próximos à superintendência. Não há confirmação sobre o estado de saúde delas. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, chegou às 23h50 no prédio da superintendência para buscar mais informações sobre os feridos.

"Viemos para saber o porquê dessa ação violenta que atingiu os nossos manifestantes. Enquanto o ex-presidente Lula estiver aqui vai haver caravanas e vigílias. A PF tem que estar preparada pra garantir a segurança" disse. Uma das feridas é a professora Andrea Beatriz Jimenez, que afirmou que se manifestava de forma pacífica no momento dos tiros de bala de borracha.

"A polícia disparou balas de borracha. Estávamos em paz. Era um grupo de professores e também estudantes" disse. A movimentação ao redor do prédio da PF começou por volta das 17 horas. Manifestantes favoráveis à prisão do ex-presidente também estavam presentes, mas do lado oposto. Não houve confronto direto entre os apoiadores e detratores do petista, já que estavam em lados opostos do edifício e separados por uma barreira policial.

Do lado dos manifestantes favoráveis à prisão, houve queima de fogos de artifício e rojões. O grupo também puxou gritos de "Lula na cadeia" e tocou o hino nacional.

O ex-presidente foi preso após o decreto de prisão feito pelo juiz Sérgio Moro na quinta-feira (5). Ele deveria ter se apresentado à Polícia Federal até as 17 horas de sexta, mas não o fez e permaneceu alojado no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo. Ontem, discursou, afirmando que se entregaria à polícia. 


Diário de Cachoeirinha
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