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Notícias | Região Universo dos quadrinhos

O feliz encontro de Gustavo Borges com o Cebolinha

Talento daqui, quadrinista desenha o famoso personagem da Turma da Mônica

Publicado em: 21.03.2018 às 11:55 Última atualização: 21.03.2018 às 11:58


Divulgação
Com uma lenda: Gustavo Borges durante a apresentação de seu novo trabalho com o gigante Mauricio de Sousa.
Parece que foi ontem que Gustavo Borges despontou como criador de histórias em quadrinhos (HQs) com as tirinhas de A Entediante Vida de Morte Crens. Um talento surgido em Cachoeirinha, o então "menino" de 18 anos aparecia pela primeira vez nas páginas deste jornal em 2014 para divulgar seu trabalho na época já conhecido dos internautas. Só que o tempo passou e Borges cresceu, literalmente, e apareceu. Publicou graphic novels (leia-se álbuns de luxo) como Pétalas (com a colaboração da talentosa Cris Peter) e Escolhas (com o não menos talentoso Felipe Cagno), além de lançar independentemente a HQ Edgar e participar de coletâneas aqui e no exterior. Ufa! Sim, Gustavo Borges trabalhou muito nos últimos anos. E em pleno 2018 encara o maior desafio de sua carreira: desenhar seu personagem predileto.

Foi no ano passado que o jovem quadrinista recebeu o convite do editor Sidney Gusman para desenhar um especial do Cebolinha. Um dos maiores incentivadores e entusiastas dos quadrinhos nacionais, Gusman é responsável há anos pelo Planejamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções. Ele acompanhou a evolução do artista e achou que Gustavo Borges seria ideal para o traço de mais uma edição da Graphic MSP, desta vez sobre o famoso personagem que troca o tempo todo o "R" pelo "L." "Estou vivendo um sonho", disse um humilde Borges logo após o anúncio. É sobre esse "sonho" que conversamos com o talentoso desenhista, que graças ao convite deixou de ser promessa para se inscrever na lista de maiores talentos da HQ nacional de hoje.

Grupo Sinos - Da primeira vez que conversamos com você, eras o autor das tiras online de A Entediante Vida de Morte Crens. O que mudou no artista Gustavo Borges de lá para cá?

Gustavo Borges - Puxa vida! Desde lá eu publiquei mais Edgar (2014), Pétalas (2015), A Entediante Família de Morte Crens (Segundo volume da série) (2016), Escolhas e Até o Fim (2017). Eu acho que esse foi o tanto que eu mudei ... ou melhor, amadureci, porque publiquei meu primeiro livro com 18 anos. Cresci tanto como pessoa como artista e contador de histórias.

Suas graphic novels Pétalas e Escolhas foram elogiadas e levaram seu nome a um novo patamar nos quadrinhos não só do RS, mas no Brasil. Como você vê, à luz dos anos, esta transição das tiras online para as páginas de papel?

Com o primeiro livro de tiras eu estava estreando no mercado, sentindo como meu trabalho seria aceito, mas desde lá eu estou trabalhando como um profissional no ramo. Foram seis livros até agora. Cada um teve uma resposta, conquistou um publico. E todos me ajudaram a chegar onde estou. Pétalas e Escolhas foram ambos projetos de financiamento coletivo na internet, algo que tem se popularizado muito. E essa exposição na internet ajudou muito. Estar de vez no papel físico e não mais só nas páginas digitais é incrível. Mas não é fácil... mas não é nada que eu já não soubesse. Sigo vivendo meu sonho!

Sua ascensão se deu em paralelo ao próprio crescimento do "mercado" dos quadrinhos e cultura geek no Brasil e no mundo. Achas que se transformou em quadrinista no momento certo?

Eu tive uma sorte absurda de ser jovem num tempo com acesso a internet e informação. Isso fez toda a diferença. Sou grato por isso.

O quadrinista gaúcho Daniel HDR comentou outro dia que o crescimento do mercado não tem significado ainda um público interessado em conhecer novas obras de verdade. Muita gente parece mais interessada em preencher lombadas na estante do que ler. Você concorda?

Em parte, eu concordo sim. Só que para todo grupo de colecionadores de capas duras e lombadas bonitas tem um grupo, menor, de colecionadores e fãs dos artistas nacionais. E eles nos apoiam muito. Então, aos poucos eu acredito que vem crescendo o nicho que consome o quadrinho nacional, mas isso não vai aumentar tão fácil sem um poder de divulgação e exposição massificado.

E daí eu pergunto se obras suas como Pétalas venderam bem?

Fico feliz em dizer que sim. Pétalas vendeu muito melhor que as minhas expectativas. Uma das maiores conquistas até hoje é ouvir da boca de leitores que foi Pétalas que introduziu eles a leitura de quadrinhos, principalmente quadrinhos nacionais. Tem como eu colocar isso no currículo? (risos)

Sei que você circula por todo o Brasil, mas quando aconteceu seu contato inicial com Sidney Gusman, o editor da Mauricio de Sousa Produções? Quando recebeste o convite dele para trabalhar com o Cebolinha?

Eu conheço Sidney Gusman desde 2013, com certeza. Sei que ele acompanhou meu trabalho e minha evolução. Recebi o convite por telefonema no dia 13 de outubro de 2016. Sim, eu tenho a data anotada, afinal foi muito marcante. Eu trabalho no meio, então eu não poderia ignorar que um dia quem sabe, se eu tivesse um trabalho que é interessante pra MSP, eu seria chamado. Mas nunca me deixei ficar pensando sobre isso ou criar expectativas. Então foi uma surpresa estonteante.

E como foi conhecer o gigante Mauricio de Sousa hein? Se emocionou? Chorou por acaso?

Chorei apenas quando recebi o convite do Sidão (como é conhecido Sidney Gusman). Pensava que choraria quando conhecesse o Mauricio, mas ao contrário disso, eu senti tanta emoção ao mesmo tempo que eu mais congelei do que qualquer coisa. Ele é tão simpático e querido. Vai ser um dia pra me lembrar pra sempre.

Na época do anúncio, você disse que o Cebolinha era seu personagem favorito. Então imagino que começou lendo quadrinhos do Mauricio de Sousa, não? Quais são as primeiras lembranças que guardas de personagens como o Cebola, Mônica, Cascão, Magali?

Disse isso no dia do anúncio tanto quando disse em 2016 nos 80 anos do Mauricio numa pesquisa publica de um site. Cebolinha sempre foi meu favorito. Comecei a ler quadrinhos pela turma, não vou mentir porque não sei qual é minha primeira lembrança de todos, mas o que me vem a cabeça é Mônica: sua força. Cascão: uma historia que ele entra num mundo da água. Magali: Miojo. (risos). E o Cebolinha lembro de tentar fazer os planos infalíveis dele darem certo.

O selo Graphic MSP mantém uma tradição de excelência em suas publicações. Sendo você o autor mais jovem já convidado a trabalhar com o título, imagino que a responsabilidade é maior ainda, não é mesmo?

Bom, eu estava tranquilo até agora, obrigado por me deixar nervoso. (risos) Tô brincando... É uma responsabilidade absurda. O que eu tenho em mente é que estou fazendo mais uma das minhas HQs. Foi pelo meu trabalho que me chamaram e é isso que eu vou entregar. Sempre cuidando para manter toda a integridade e magia dos personagens do Mauricio.

E o que você achou de títulos anteriores da Graphic MSP como Laços, Lições e Lembranças? Mesmo sabendo que não podes falar sobre Cebolinha, que será lançado em agosto, podes responder se foram uma inspiração pelo tratamento dado aos personagens?

Os Cafaggi fizeram uma trilogia linda! Orgulho de ser colega e amigo deles. Cada Graphic que tem lançada já é um aprendizado sobre como tratar os personagens, em suas diferentes vertentes. Tem de se manter atento a isso!

E sobre seu futuro? Em que pensas em trabalhar? Imagino que já devem ter surgido outras propostas de trabalho depois do anúncio do Cebolinha ...

Terminando Cebolinha eu começo um projeto autoral. Será a maior HQ que já produzi. Estou empolgado com a possibilidade do desafio e ansioso para saber o que os leitores vão achar do que estou elaborando.

Ainda falando sobre futuro, um jornalista disse certa vez que a saída para a maior parte dos artistas nacionais é o aeroporto. Ele falava de forma figurativa que nossos artistas são mais valorizados lá fora. Você concorda com isso? O exterior está em seus planos?

O exterior sempre esteve em meus planos! Quero que minhas histórias voem o mais longe possível. Felizmente posso compartilhar que Pétalas já foi publicado em Portugal, Polônia e Estados Unidos. A Entediante Vida de Morte Crens recentemente chegou a Portugal, também. Em 2017 estreei assinando uma história curta para os quadrinhos de o Incrível Mundo de Gumball, da BOOM! E tive o prazer de ser convidado do Festival de Amadora em Portugal, que foi uma experiência extraordinária, muito grato por todos que se esforçaram para isso acontecer.

E que artistas brasileiros tu mais admira no mercado nacional? Acompanhas o trabalho de gente que atua lá de fora, como Rafael Grampá, Rafael Albuquerque, Mike Deodato e outros que trabalham para editoras americanas?

Costumo acompanhar o trabalho de todos que conheço. Nosso mercado está cheio de artistas e colegas incríveis. Tenho muita admiração pelo todo. Mas faço destaque pelo orgulho que tenho de estar na mesma geração de Felipe Cagno, Eric Peleias, Felipe Nunes, Felipe Portugal, Pedro Cobiaco, Diego Sanshes ... São grandes talentos.

O traço do teu desenho se destaca pela delicadeza em obras como Pétalas, mas quem acompanha teu trabalho sabe do prazer que tens em rabiscar personagens da cultura pop, como Harry Potter. Terias vontade de trabalhar com algum personagem em particular?

Muitos! Mas vamos um passo de cada vez.

E sobre a atual febre de super-heróis que tomou o mundo ... tens vontade de desenhar algum personagem em especial? E falando nisso, qual foi o herói da tua infância? Ele "anda" pelas telas do cinema hoje em dia?

Minha infância foi preenchida pelo Noturno, dos X-Men, e pelo Homem Aranha! Confesso que adoraria fazer uma HQ com os jovens mutantes passeando no shopping, tomando café, vivendo a vida deles.

A vida do Gustavo começou com a morte

Sim, um personagem absolutamente funesto foi responsável pelo início da vida de Gustavo Borges nas HQs. A Entediante Vida de Morte Crens ganhou notoriedade na internet pelo tom deliciosamente macabro das tirinhas. 

Quando desenhar é o maior prazer 

Aos 22 anos, Gustavo Borges é um jovem como qualquer outro com sua idade. Atualmente morando em Porto Alegre, ele está namorando e estuda design na UniRitter. Agora, quem acompanha o artista pelo Facebook e Instagram sabe da baixão que o moço tem pelo traçado. À parte seu ofício, ele publica desenhos e mais desenhos de personagens que admira, conforme seu estilo. Seja o meigo Harry Potter ou terrível Cão de Game of Thrones. Tudo pelo prazer da arte.

Saiba mais

Em seu painel na Comic Con Experience, em São Paulo, no ano passado, a Mauricio de Sousa Produções anunciou três novas HQs da Graphic MSP. Uma é Cebolinha por Gustavo Borges, é claro. As outras são Astronauta IV e Horário. Para quem não conhece, as obras da Graphic MSP se diferenciam pelo olhar autoral de artistas sobre o universo criado por Mauricio de Sousa. Dentro do projeto, os irmãos Lu e Vitor Caffagi ganharam notoriedade ao criar a trilogia Laços, Lições e Lembranças. O sucesso foi tamanho que os personagens chegam ao cinema este ano em uma adaptação da aventura vivida por eles em Laços.

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