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Acusada segue foragida

Há um ano, a Marta não voltou da escola

Adolescente foi morta por asfixia dentro da sala de aula na Luiz de Camões no seu segundo dia na escola
08/03/2018 10:46 08/03/2018 17:34


Arquivo pessoal
Marta foi morta no dia 8 de março
Há um ano, no dia 8 de março de 2017, a jovem Marta Avelhaneda Gonçalves, 14 anos, ia para o seu segundo dia de aula na escola nova, a Luiz de Camões. Saiu dali dentro de uma ambulância e não voltou para casa. Ela foi morta dentro da sala de aula, após uma discussão. O caso, que teve repercussão internacional na época, foi solucionado em menos de dez dias úteis, mas, até o momento, não houve punição da acusada.

Isso é o que mais chateia a família. “Foi um ano bem difícil. Tivemos que adaptar a nossa vida à falta dela. É difícil perder alguém que a gente ama, mais difícil ainda quando acontece da forma que foi, algo provocado e que parece que ninguém está se importando”, lamenta a irmã Jéssica Avelhaneda Gonçalves.

Marta era considerada por todos uma jovem muito tímida. A mãe havia se mudado para o Parque da Matriz há pouco tempo. A filha foi viver com ela um mês antes de morrer. “Ela era uma guria tímida mas tinha um jeito brincalhão. Era muito carinhosa com a família e cativava as pessoas. Nunca teve problema de briga. Era o segundo dia de aula em Cachoeirinha. Acredito que ela tenha reagido diante de algo que a menina que a matou tenha falado. Ela partiu sem sabermos o que aconteceu. Resta lutarmos por justiça”, garante.

O pai, Moacir Gonçalves, também lamenta tudo o que aconteceu. “Ela era uma menina bem alegre, tímida, mas brincalhona. Ela não era brigona, não iria brigar com alguém, ainda mais no segundo dia de aula. Com dois de aula tu não arruma um inimigo de morte”, desabafa.

Autora tem 12 anos

O inquérito policial concluiu que houve uma briga entre Marta e uma adolescente que na época tinha 12 anos. “A menor asfixiou de forma dolosa, ou seja, com intenção, a Marta. Havia uma rixa entre elas, o que provocou a briga. O inquérito foi encaminhado do Ministério Público de Cachoeirinha que chegou à conclusão que houve o homicídio de forma dolosa e intencional. Outras pessoas participaram, mas só tentando separar a briga”, afirma o delegado Leonel Baldasso, titular da 1ª Delegacia de Polícia do município, responsável pela investigação.

Ainda em março de 2017, o Ministério Público pediu a internação provisória da adolescente por 45 dias na Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase-RS). Porém, a internação nunca aconteceu.

Jovem não é encontrada

Desde que a Justiça determinou a internação da jovem, ela não foi encontrada. Segundo relatos, a adolescente e a mãe teriam deixado o município e não se sabe o paradeiro de ambas. Conforme comunicado da juíza Vanessa Caldim dos Santos, o processo tramita em segredo de justiça. Em nota, o Tribunal de Justiça disse que O que pode-se informar é que no caso de não localização de adolescente com internação provisória decretada, o mandado de busca e apreensão do menor é encaminhado para autoridade policial. Assim, o processo fica suspenso até a apreensão do menor. “Inobstante a suspensão do processo, as diligências para a localização da menor estão sendo realizadas”, diz o texto.

Em contato com a assessoria da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, foi informado que “até a presente data a adolescente infratora não foi localizada, muito embora tenham sido envidados esforços sobremaneira objetivando a sua localização ao longo do último ano, tendo sido diligenciados pela instituição diversos endereços que possibilitassem apreender a representada e cientificar seus representantes legais acerca do processo em comento, não podendo maiores informações sobre as providências e tramite serem divulgadas em decorrência do segredo de justiça observado no procedimento, imprescindível inclusive para resguardar os direitos e garantias inerentes à adolescente infratora. Salienta-se, por oportuno, que até a presente data todos os recursos manejados pela defesa da representada foram improvidos pelas instâncias superiores, tendo sido mantida a decisão que entendeu se tratar a medida de internação provisória solicitada pelo Ministério Público imperiosa diante dos indícios da materialidade e autoria, aliados à gravidade da conduta imputada à jovem e à necessidade de garantir a ordem pública, ressaltando, ainda, que a adolescente e sua família estão em lugar incerto e não sabido”, diz o MP.

Mudanças na escola

Depois do que aconteceu, a Luiz de Camões passou por algumas mudanças.”O Estado já tinha implantado e lançado nas escolas o Cipave, programa de prevenção à violência e poucas escolas haviam aderido. Logo após o fato, muitas escolas aderiram, inclusive o Camões. A escola teve um ano importante de resgate da sua imagem. Quanto à parte administrativa, o a Secretaria de Educação abriu sindicância, apurado os fatos e concluiu que não houve negligência por parte da escola”, garante a coordenadora da 28ª Coordenadoria de educação, Marta Ávila.

A diretora da escola, Fani Drehemer, conta que algumas parcerias foram feitas e os alunos e pais participaram de trabalhos de prevenção à violência. “Tudo aquilo foi um choque. Trabalhamos a violência, a valorização do próximo, da escola. Para a turma da Marta, fizemos um trabalho diferenciado. Ela era uma aluna nova do 7º ano, poucos a conheciam. Eles sabiam da gravidade mas não houve muito comentário após o fato”, diz.
Nesta quinta-feira, a escola fará uma homenagem à Marta em dois momentos. Fani acrescenta que não teve mais contato com os familiares após o ocorrido.

Família fará manifestação


Diléa Fronza/GES-Especial
No ano passado, família também realizou protesto
Jéssica, irmã de Marta, lamenta a falta de atenção recebida. “Procuramos um advogado que está acompanhando a situação. Infelizmente são poucas as informações que recebemos. Só o que sai nos jornais. A guria que fez isso com a minha irmã fugiu e não vai ser presa, nada. Vou continuar protestando, tocando no assunto porque a gente se sente impotente. Trabalhamos, fazemos tudo direito e quando acontece uma coisa com a gente eles fazem pouco caso”, lamenta.

Ela acrescenta que não foi procurada pelo Estado ou pela escola e que não teve apoio algum. “Só a imprensa nos procura e nos dá apoio. Ninguém deu explicação, nem escola, nem estado, nada. Isso também é revoltante”.

Neste final de semana, a família irá fazer um protesto no Parcão. Será domingo, a partir das 16 horas.

Caso de muita dor


Paloma Vargas/GES-Especial
Delegado Leonel Baldasso
O delegado Baldasso (foto) afirma que o caso foi dolorido. “Ouvimos muita gente, pois nos preocupamos em evitar que ocorresse uma injustiça. Diante de toda a coleta de dados, não há como não ter sido a adolescente apontada como autora”, garante.

Sobre o fato da adolescente infratora não ter sido encontrada, ele diz que diligências foram feitas em busca da menor. “Foram enviados ofícios para escolas de outros estados para que informem caso ela se matricule. Apesar do segredo de justiça, que impede a divulgação de muitas informações, acreditamos que ela não vá ficar impune. Diante de toda a coleta de dados feita, não há como não ter sido a adolescente. O fato de ela ter fugido reforça a nossa tese. A fuga dela, para mim, demonstra que houve o ato infracional intencional. Se não, ela teria se apresentado e cumprido a decisão da Justiça. Se não concordasse, entraria com recursos para ser liberada”, assegura.

A reportagem procurou o advogado Marcos Vinicius Barrios, responsável pela defesa da menor apontada como autora do crime. Ele agendou entrevista para as 15 horas de ontem, quarta-feira. Porém, não atendeu às ligações realizadas. Por mensagens enviadas via WhatsApp, prometeu dar retorno, o que não aconteceu até o fechamento desta edição.



Diário de Cachoeirinha
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