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Economia

Siderúrgicas brasileiras perdem R$ 1,9 bi em valor de mercado devido à decisão de Trump

Expectativa de sobretaxas ao aço vinha ganhando força desde o carnaval
03/03/2018 12:16 03/03/2018 12:20

Jim Watson/AFP
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se gabava no Twitter de que – guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar –, o restante do mundo reagia com perdas bilionárias nas Bolsas e ameaças de retaliação a sua proposta de taxar a importação de aço e alumínio. As siderúrgicas listadas na B3 (antiga Bovespa) perderam nesta sexta-feira R$ 1,91 bilhão em valor de mercado, devido à queda de suas ações. Diante do temor de uma guerra comercial global, organismos internacionais tradicionalmente cautelosos, como União Europeia e Organização Mundial do Comércio (OMC), foram contundentes.

Na quinta-feira, Trump anunciou que vai impor sobretaxa de 25% às importações de aço e de 10% às de alumínio, alegando motivo de segurança nacional: precisa ter aço para produzir equipamentos militares. Ontem, no Twitter, Trump empregou um tom desafiador para responder às críticas ao plano, sugerindo que uma guerra comercial seria bem-vinda. Um dos temas de sua campanha eleitoral fora suposta injustiça nas relações comerciais dos EUA, sobretudo com China e Japão.

"Quando um país (EUA) está perdendo bilhões de dólares no comércio com virtualmente todos os países com os quais faz negócios, guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar?, escreveu o republicano na rede social. ?Quando um país taxa nossos produtos em, digamos, 50%, e nós taxamos esses produtos em ZERO, isso não é justo nem inteligente. Em breve vamos ter impostos recíprocos de forma que tributaremos a mesma coisa que eles nos taxam. (Com um) déficit comercial de 800 bilhões de dólares, não há escolhas!"

Instituto quer que o Brasil também adote taxas

A possibilidade de aumento das tarifas de importação sobre o aço e o alumínio nos Estados Unidos atingiu em cheio o desempenho das ações do setor no Brasil. Na última semana, com o aumento da expectativa em relação à mudança, a desvalorização ultrapassou os 10%, mesmo que apenas uma pequena parcela das vendas das siderúrgicas brasileiras tenha como destino os Estados Unidos.

"O anunciado protecionismo ensejou fuga em massa dos ativos de risco, especialmente das Bolsas globais, além de ter semeado temores de que a iniciativa provoque uma guerra comercial mundo afora", avaliou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

A expectativa das sobretaxas vinha ganhando força desde o carnaval, quando Trump tocou no assunto pela primeira vez, mas só na quinta-feira foi sinalizada como algo concreto. No acumulado da última semana, o papel que mais sofreu no Brasil foi o da CSN, com queda de 10,2%, a R$ 9,21. No caso da Usiminas, o tombo foi de 7%, para R$ 11,34. Os papéis menos afetados foram os da Gerdau, com recuo de apenas 1,5% na semana. A empresa também produz nos EUA e poderia se beneficiar das tarifas sobre produtos importados.

As ações da CSN e da Usiminas recuaram, só ontem, 5,05% e 3,89%, respectivamente. Com a queda, a primeira perdeu R$ 679,8 milhões em valor de mercado, enquanto a Usiminas registrou desvalorização de R$ 597,5 milhões. No caso da Gerdau, sua queda ontem foi de 2,38%, proporcionando uma perda de R$ 458,6 milhões em capitalização. A holding Metalúrgica Gerdau recuou R$ 180,1 milhões.

Foram esses papéis que mais pressionaram ontem o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro. Pela manhã, a queda foi de mais de 1%. Mas, à tarde, a melhora dos mercados americanos e o desempenho positivo da Petrobras fizeram com que o índice encerrasse em alta de 0,45%, aos 85.761 pontos. Segundo Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, os investidores exageraram no pessimismo em relação às sobretaxas e, aos poucos, corrigiram os excessos:

"Essa notícia causou um desgaste mundial, já que há um temor de uma guerra comercial. Mas, após esse impacto, as Bolsas nos Estados Unidos começaram a reagir, melhorando o desempenho do Ibovespa."

De fato, os principais índices americanos também conseguiram se recuperar. Depois de cair mais de 1%, o S&P 500 fechou em alta de 0,51%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq avançou 1,08%. A única queda foi no Dow Jones, mas de apenas 0,29% – pela manhã, também caíra mais de 1%. Já os mercados europeus, que fecham mais cedo pela diferença do fuso, encerraram em queda. O DAX, de Frankfurt, recuou 2,27%, e o CAC 40, de Paris, perdeu 2,39%. Em Londres, o FTSE 100 caiu 1,47%. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio teve queda de 2,50%, e a de Hong Kong, de 1,48%.

Para o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Mello Lopes, o governo brasileiro precisa aumentar as tarifas de importação sobre o aço, atualmente de 12%, em média. Isso, diz, seria uma forma de evitar que o Brasil seja invadido por produtos siderúrgicos de outros países que perderão acesso ao mercado americano com as sobretaxas.

"O Brasil não pode ser ingênuo. Também tem que subir suas alíquotas de importação, para que o mercado interno não seja inundado", disse Lopes.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão do governo americano de "injustificada e ilegal". Se adotadas as sobretaxas para o aço e o alumínio, alertou a entidade, as exportações brasileiras serão prejudicadas. Para a CNI, "o governo brasileiro deve utilizar todos os meios disponíveis para responder à decisão americana, inclusive no âmbito da OMC".

Electrolux adia investimento nos EUA

A agência de classificação de risco Moody's, no entanto, acredita que a adoção de sobretaxas será administrável para os produtores brasileiros. Isso porque as exportações de produtos acabados (aços planos e longos) não representam 22% do volume total vendido aos EUA. Segundo a Moody's, as exportações de Usiminas e CSN para os EUA não são significativas, e a Gerdau seria beneficiada por ter operações naquele país.

Trump, no entanto, já sofreu um revés por conta de sua decisão. A sueca Electrolux, maior fabricantes de eletrodomésticos da Europa, informou ontem que postergaria um investimento de 250 milhões de dólares no estado americano de Tennessee por causa das sobretaxas.

"Estamos colocando esse plano em espera. Acreditamos que as tarifas podem causar um aumento significativo do preço do aço no mercado americano", afirmou Daniel Frykholm, porta-voz da Eletrolux.

A companhia compra localmente todo o aço que utiliza em suas operações nos EUA.


Diário de Cachoeirinha
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