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Gilson Luis da Cunha

A culpa é do bigode

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 25032018)
25/03/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.wattpad.com/search/Gilson%20Luis%20da%20cunha


A cada dia eu me convenço mais de que ninguém vive no mesmo universo. Na prática, cada um vive em seu próprio universo-bolha. E não estou falando em política, ideologia, religião, ou mesmo, futebol. Duvidam? Em 1984, quando foi anunciada a versão de David Lynch, para Duna, o romance de Frank Herbert, considerado um dos clássicos da ficção científica, eu me preparei para o filme lendo todo o glossário do livro, na saudosa livraria do Globo, na Andradas, em Porto Alegre. Como resultado, fui o único de meu grupo de amigos que gostou do filme.

De algum modo, mesmo com omissões importantes ao livro, achei que ele casou com perfeição o clima de psicodelia do livro, quase uma bíblia do movimento hippie, e a tresloucada estética do diretor de Eraserhead. “É uma m.....!” Disseram meus amigos. Curiosamente, meu irmão mais velho, que assistiu ao filme junto comigo, o adorou, mesmo sem ter entendido chongas. Vai ver que lá, na bolha em que ele vivia, o filme tinha outro significado, radicalmente diferente daquele que tinha para mim.

Quase 30 anos depois, venho a descobrir que, com exceção de um outro cronista de cultura pop, eu sou o único sujeito que curtiu John Carter – Entre Dois Mundos, a adaptação para o cinema do romance de Edgar Rice Burroughs. O filme me conquistou. Era uma história de segunda chance, de redenção, um dos temas mais importantes da sétima arte. E passada em Marte, com batalhas épicas, monstrões horrendos, princesas tão belas quanto inteligentes e aguerridas, uma trilha sonora fascinante, e muito mais. Tinha tudo para funcionar. E não rolou.

Bom, no meu próprio universo, o filme não rendeu a franquia que merecia por causa de algum "trabalho interno". A Disney fez a pior campanha que um filme daquele porte poderia ter. Ninguém abaixo dos 60 anos sabia quem era John Carter. E isso, nos EUA. Imaginem o resto do mundo. Pior. No centenário de sua publicação, nem uma mísera nota publicitária da Disney lembrou o público de que John Carter foi criado pelo mesmo autor de Tarzan. Pombas! TODO MUNDO CONHECE TARZAN! (Desculpem o tom enfático). Sim. Todo mundo pelo menos ouviu falar no personagem. Seja dos livros, seja o Tarzan gritão do cinema, o lendário Johnny Weissmüller, ou, na pior das hipóteses, o Tarzan “minhoca” da TV (Ron Ely) ou a versão animada da Disney, de 1999. Bastava terem dito isso. Sério? De que adiantaram aqueles caríssimos engravatados do setor de marketing da Disney, criados a Toddy e formados em Harvard? Bueno. Vivemos em bolhas. Talvez leve anos até que eu encontre mais alguém que viu algo de bom em John Carter. Até lá, essa parte de minha existência geek será como vaguear pelo mundo de The Walking Dead, sem encontrar ninguém (vivo).

Mas numa coisa, todos concordam. Liga da Justiça, filme, tinha tudo para ser a salvação do Universo DC no cinema. A começar pela Mulher-Maravilha, egressa de seu bem-sucedido filme solo. Tínhamos um Aquaman tosco e barraqueiro e, por isso mesmo, de um carisma incomum para a maioria dos super-heróis da telona. Um Flash moleque e metido a engraçadinho, mesmo cercado por toda dor de sua tragédia familiar. Tínhamos um Ciborgue que traduzia visualmente os maiores delírios das HQs (se bobear, o cara tinha até um home theater embutido). Tínhamos um Bat-Afleck com o porte físico, o uniforme na cor certa e, bom, quase toda a atitude do homem morcego das HQs. E tínhamos a promessa de ressureição do maior defensor da humanidade, o Super-Homem. Claro, o vilão era bem meia-boca. Mas, e daí? O Ares, de Mulher Maravilha, também não era nenhuma Brastemp. Caramba.

Então, o que foi que deu errado? Essa semana, o mundo inteiro se uniu para a despedida daquele que, por unanimidade, foi considerado o causador do fracasso de Liga da Justiça: o bigode de Henry Cavill. Ao longo do ano passado, por uma questão contratual, o ator que interpretou o último filho de Krypton, em Liga da Justiça, foi impedido de raspar o bigode. Essa peça de pelo facial, ao que parece, era parte essencial de seu personagem em Missão Impossível 6, que estreará em julho, no Brasil.

Isso e as filmagens adicionais, necessárias devido à saída de Zack Snyder da direção, fizeram com que a produção optasse pela bisonha alternativa de apagar digitalmente o bigode de Cavill, fazendo o Super-Homem ficar com um lábio superior emborrachado pra lá de bizarro. Assustador, na verdade (foto). A coisa ficou tão grotesca, que quase faz a gente ter saudade do bigode do Coringa, na série de TV do Batman, onde “o, bobo, o Jóker, o palhaço” era interpretado por Cesar Romero, que se recusava a tirar o bigode. Solução encontrada: pintar o bendito bigode de branco, até ele ficar emborrachado. Só que, o mesmo ridículo que ajudou a fazer de Romero um ícone da TV do século 20, simplesmente acabou com a moral daquele que devia ser o maior herói da DC. O resto é história.

Então, de certo modo, esse bigode fez mais para unir a espécie humana do que todas as assembleias da ONU desde 1945. Cada um vive em sua bolha. Mas todos nós vivemos na mega-bolha que odeia o bigode do Henry Cavill e o que ele fez ao filme da liga. Tom Cruise, se você estiver lendo isso, espero que Missão Impossível 6 tenha mesmo valido a pena. Esse bigode custou caro demais.

Descanse em Paz, Bigode do Henry Cavill (2017-2018). Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Diário de Cachoeirinha
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