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Flávio Fischer

Honra teus pais

"Sim, os tempos mudam, mas nunca se deve desrespeitar quem construiu uma história"
18/03/2018 07:00

Flávio Fischer é tabelião e presidente da Fundação Semear
flavio@fischer.not.br

Outro dia assisti a uma palestra onde se falava da importância de respeitarmos o legado deixado pelos nossos antecessores. Na ocasião, o palestrante comentava a atitude de um filho, chamando seu próprio pai de retrógrado, bronco, desatualizado. Esse pai é um grande empresário, com mais de mil empregados, e que construiu – de início sozinho – um empreendimento sólido, mercê de seu próprio esforço, talento e muito trabalho. E que soube contratar bons empregados e aliar-se a parceiros trabalhadores e dedicados como ele. E o tal filho, com 30 anos de idade, já tinha graduação, mestrado e doutorado, inclusive um deles em Harvard, na área de administração e finanças. Seu interlocutor, vendo a revolta do jovem, perguntou sobre os negócios do pai e ele relatou os anos de muito trabalho e de bastante sucesso. E que a empresa estava muito bem naquele momento. Mas que o filho achava que o pai estava ultrapassado, e que deveria dar-lhe espaço para aplicar suas teorias modernas e todo o conhecimento que o estudo lhe havia propiciado (pago pelo pai). Então lhe foi perguntado, desde quando esse pai havia trabalhado para chegar onde estava. “Ah, desde muito cedo, bem antes dos 20 anos de idade.”

“E tu, jovem, quantos anos tens?” “Estou com 30.” “E criaste alguma coisa do nada que tenha dado certo?” “Não, eu estava sempre estudando, até agora, que estou com 30 anos de idade.” Naquele momento o jovem se deu conta da situação, ele com 30 até então só tinha estudado, e o pai aos 30 já era dono de um excelente negócio, criado por ele desde bem mais jovem. Sim, os tempos mudam e a administração deve acompanhar todo esse avanço, mas nunca se deve desrespeitar quem construiu uma história.

Então fica a pergunta: será que basta ter diplomas e aplicar teorias? Ou o trabalho e a dedicação daquele pai, comparativamente, não teria valido muito mais? Longe de mim pregar, agora, que o estudo de nada vale. Mas o que se percebe, na verdade, é que o pai aqui retratado, embora com pouco estudo (tinha somente o segundo grau), foi levando seu negócio a um estágio de grandes proporções.

Tudo isso me fez lembrar da história do pipoqueiro, que produzia e vendia seu produto, todos os dias, nas esquinas da cidade. E que com isso já era dono de três casas de aluguel, além da sua moradia. Era um senhor simples, mas que primava pela qualidade do que servia. E o filho, formado em marketing, resolveu “revolucionar” o negócio aplicando várias teorias, criando marca e aplicando nos saquinhos de pipoca ao ponto de ter contratado uma equipe para ampliar os negócios. Em pouco tempo não havia mais capital nem para comprar o milho para a pipoca. O negócio cresceu, mas os valores e a sabedoria daquele pipoqueiro não foram respeitados e o negócio perdeu o seu diferencial: a humildade, o trato gentil com as pessoas, empregados e fornecedores, mais ainda os clientes e o orgulho de fazer aquela pipoca saborosa. Por isso, honra teus pais, não só pela dádiva da vida que te foi dada, mas pela sabedoria de vida e porque um dia a tua história também será questionada.


Diário de Cachoeirinha
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