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Entrevista Marlon Santos

Novo presidente da Assembleia Legislativa fala sobre a busca pelo equilíbrio de forças

Deputado estadual fala sobre seus desafios, avaliou os prós e contras do Plano de Recuperação Fiscal e das chances do seu partido nas eleições 2018
11/02/2018 08:54 11/02/2018 08:58

Wilson Cardoso/Alergs
O deputado estadual Marlon Santos (PDT) assumiu no início do mês a presidência da Assembleia Legislativa
Aos 42 anos o deputado estadual Marlon Santos (PDT) assumiu no início do mês a presidência da Assembleia Legislativa. Ele conversou com a reportagem do ABC Domingo, pouco antes de uma reunião com o vice-governador José Paulo Cairoli.

Agenda sugerida pelo pedetista ao governo em seu discurso de posse é motivada pelo azedamento das relações entre o Executivo e Legislativo a partir dos desdobramentos da votação do polêmico projeto de adesão do Rio Grande do Sul ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), da União (após tentativa jurídica de barrar a votação, a matéria acabou analisada e aprovada na madrugada de sexta-feira).

Tema tenso, que concentrou a atenção dos deputados na volta do recesso e também centralizou a entrevista. Santos afirma ainda que o PDT será a terceira via da eleição 2018 no Estado e que a opinião pública não admite mais candidato que mente.

Qual o seu principal desafio à frente do Legislativo?
Marlon Santos - Primeiro ter a noção de que como presidente preciso representar todos os pares. Depois, num compromisso assumido com os outros presidentes, de reforçar a visibilidade da Assembleia aos gaúchos. De torná-la mais próxima do cidadão. E aí entra o papel de imprensa, de mostrar os trabalhos que são feitos aqui. O servidor da Assembleia, por exemplo, está desvalorizado. Ele está achincalhado pelo sistema como um todo, leva a alcunha de marajá, mas ninguém consegue entender o estresse de um funcionário que chega aqui de madrugada.

Na posse, o senhor cobrou mais diálogo do governo ao falar do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). As relações estão mais tensas?
Marlon - A gente precisa azeitar essa relação. A gente tem que entender que chefe do Executivo e deputado são seres humanos. Mas tem um sentimento que todo mundo tem que ter. Tem que botar na cabeça que todos têm responsabilidades enquanto autoridade de Estado no momento. Uma lei que serve para um ano, dois, é uma coisa. Agora se ela vai mexer com a vida do teu tataraneto, tu tem que ter responsabilidade. Quando houve o trancamento de votação, não dá pra pensar que os discursos (dos deputados) eram pra passar tempo. No fundo, todos estavam, de verdade, querendo conhecer a fundo o projeto.

A quem interessa o RRF?
Marlon - Interessa ao Estado. Mas tem algumas coisas. A prorrogação da dívida é importante pra nós, a fineza no trato da coisa pública também. E isso é muito importante. Mas temos que pensar que somos um ente federado. Não pode pegar e deixar estabelecido que não vai ter um percentual mínimo pra que essa prestação possa abocanhar o orçamento. Engessa o Estado e nos coloca em grau de submissão total.

E sobre as repercussões jurídicas do tema?
Marlon - É preciso organizar essa coisa para que se evite, por exemplo, uma enxurrada de questões judiciais. Isso é mais do que certo que eu pondere. Porque tu imagina que vamos estar mexendo com a vida de cidadãos de outros poderes e órgãos. .

E o impacto disso?
Marlon - A partir do momento que passa, várias entidades terão legitimidade para entrar na Justiça. Por exemplo, um professor, que ganha mil e pouco reais. Inibe e proíbe o reajuste dele ad eternum. Por outro lado, temos uma prestação a pagar, que vai comprometer 4% do valor corrigido mais IPCA. Quer dizer, essa vai seguir aumentando e virar uma bola de neve e o orçamento sendo corroído. Mas se tu fizer a conta pela inflação média dos últimos dez anos, o salário do professor não terá poder de compra em três anos daqui pra frente, sem reposição.

O PDT foi base do governo até 2017. Mas há deputados se posicionando contra o governo e outros não. Qual será a posição do partido?
Marlon - O PDT é uma oposição racional, mas existe a questão das ponderações maiores ou menores. No sentido de que dar um pouco de razão não é demais. Uma coisa que ponderamos enquanto partido, eu prioritariamente faço isso agora, é que a União nos deve. A União nos deve dinheiro.

O tema da RRF é pra todos, assim como da alíquota majorada do ICMS (desde 2015). Essas são bandeiras do PDT e do candidato ao governo Jairo Jorge?
Marlon - Da alíquota majorada ninguém está se tocando. Acredito que devemos ir ao encontro da União, no sentido de exigir o que a União nos deve e a Lei Kandir. Então tem que se estabelecer um critério pra trazer esse dinheiro de volta ao Rio Grande e já ter esse critério agora. Se nós perdermos a oportunidade do RRF, o governo federal nunca mais vai olhar na nossa cara. E se tu pegar o que foi aprovado na Alerj (no Rio de Janeiro), isso eu comentei com o Jairo e acredito que ele pense assim, temos que nos preocupar com os setores produtivos e dos trabalhadores, dos pobres aos bilionários, desde que produtivos.

O PDT, na sua análise, vai se alinhar à oposição ou se aproximar do PMDB?
Marlon - Penso que o PDT é mais uma terceira via.

Mas as terceiras vias têm ganho.
Marlon - Exato. Mas denomino terceira via porque o PDT vai ter o discurso do trabalhista racional. Pelo menos o mais racional possível. Um ideologismo um pouco mais moderno, mas sem nunca abandonar o setor produtivo, seja ele familiar, industrial. Nossa ideia é manter equilíbrio de forças.

Como o senhor vê esse pleito?
Marlon - Nunca teve nada parecido. Teve uma época que não existiam redes sociais e todo esse big brother de estarmos permanentemente conectados. Então não vai ter mentirada. Quanto mais o candidato for natural, quanto mais contato pessoal, quanto mais próximo do eleitor médio, quer dizer tu tira toda uma média de uma questão intelectiva, produtiva, de toda uma questão social, quanto mais próximo dessa média do eleitor, mais ele vai ter identificações e defensores e mais, portanto, gente que se identifique com a proposta. As propostas mirabolantes, que eram feitas há cinco anos, isso tudo vai terminar.

Um recado para sociedade gaúcha e o que podemos esperar do senhor à frente da Presidência da Assembleia.
Marlon - Que tem um gaúcho da campanha administrando a Assembleia junto com os colegas.


Diário de Cachoeirinha
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