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Economia

Comércio pode somar perdas de R$ 22 bilhões com feriados em 2018

Setor não consegue recuperar vendas perdidas em dias parados
07/01/2018 08:00


Susana Leite/GES-Especial
Comércio não consegue recuperar vendas perdidas nos feriados
Onze bilhões de reais. Perdas que a Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-SP) estima para o setor com mais de uma dezena de feriados previstos no calendário brasileiro de 2018. Quantia que é exatamente a metade dos R$ 22 bilhões projetados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Ambas as cifras, portanto, salgadas ao empresariado, mesmo que noutro olhar os feriados representem ao trabalhador a oportunidade de descanso, lazer e turismo em meio a um ano que promete ser de leve melhora na empregabilidade e na retomada do crescimento, porém, turbulento no campo político com o pleito de outubro.

No Rio Grande do Sul, 11 feriados (dez federais e um estadual) compõem lista da Fecomércio-RS. Todos em dias úteis, em especial na quinta e na sexta-feira, o que quer dizer “feriadões”. Ainda é preciso inserir feriados municipais, como o 5 de abril, em Novo Hamburgo, que será celebrado também numa quinta-feira, e que nesta cidade aumenta a conta. Isso sem contarmos os denominados pontos facultativos, como o carnaval e a quarta-feira de cinzas. 

Dados da própria CNC revelam que em cada feriado de 2017 o varejo brasileiro deixou de lucrar R$ 1,5 bilhão, uma perda mensal de 9%. E o que fazer para tentar minimizar esses impactos negativos, já previsíveis, independentemente de setores do comércio como o turismo e a hotelaria serem beneficiados nessas datas? "Em termos de Brasil temos que pensar que agimos como se fôssemos um País rico e não somos. Não podemos nos dar a esse luxo. Feriado é para quem, como Nação, já consolidou riqueza e economia", opina o recém-empossado presidente da Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI), Marcelo Lauxen Kehl.

Ele ressalta que a orientação da entidade aos seus 1.138 filiados, empregadores de mais de 103 mil pessoas, é serem criativos. “Do ponto de vista do comércio é tentar aproveitar o máximo o período de pré-feriadão com estratégias de vendas, tanto na venda física como no comércio eletrônico. Pra tentar buscar, adiantar esse consumo”, argumenta Kehl. Aponta que tal iniciativa reduziria perdas que em 2017 chegaram a até 12% em meses como abril e maio, onde houve ocorrências de dois feriados.

Fidelizar o cliente

Uma receita para os comerciantes reduzirem perdas e queixas com os feriados é dada pelo presidente da Fecomércio-RS, o caiense Luiz Carlos Bohn. “O mais importante é tentar fidelizar o seu cliente. Fala-se hoje em experiência de compra, ou seja, atender bem, propiciar sempre uma compra que traga a máxima satisfação ao consumidor. Isso minimiza os impactos das perdas, mas é um desafio aos lojistas”, diz.

Desafio que, segundo ele, reside na dificuldade dos estabelecimentos em ter vendedores qualificados. “Para informar bem sobre o produto, em especial nos eletroeletrônicos. E atender com qualidade é mantra obrigatório para todos os segmentos e linhas do varejo”, acrescenta Bohn, salientando que o e-commerce, o comércio eletrônico, precisa cada vez mais ser difundido pelos lojistas na atração ao cliente. Quanto às soluções que perpassem a classe produtiva, o dirigente lamenta que elas inexistam no campo legislativo.

Choro de uns, alegria de outros

Se o choro pelos feriados atinge boa parte do comércio, outros segmentos do setor enxergam as datas como uma oportunidade. “Há dicotomia entre setores, mas os feriados nos ajudam, mesmo caindo no meio de semana. Muitos profissionais liberais, empreendedores, trabalhadores que tenham alguns dias em haver, aproveitam pra sair. E o brasileiro mudou um pouco a sua cultura, no sentido de que na Era Lula a linha branca de produtos foi foco de consumo. Hoje, a partir dessas conquistas anteriores, a ideia é aproveitar para viajar com a família. O que soma não é mais comprar o bem, mas ter experiências de vida, de viver melhor e fazer lazer. Esses feriados, somados a essa nova cultura, têm ajudado a indústria hoteleira e gastronômica”, explica o presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares e Similares da Região das Hortênsias (Sinditur Serra Gaúcha), Fernando Boscardin.

Ele ilustra quanto o setor pode ser beneficiado. “Se pegar um feriado que vá de quinta a segunda há um aumento significativo, em torno de 20%. E se cair em período de baixa temporada a diária não sobe tanto. Então pra nós, que trabalhamos os 365 dias do ano as 24 horas, os feriados são um bom negócio”, ressalta Boscardin.


Passar quase todos para a segunda-feira

Alterar a disposição dos feriados nacionais passa por negociações envolvendo Brasília. Entendimento que faz o presidente da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch, revelar que nos próximos dias a entidade fará um corpo a corpo com a bancada federal gaúcha, ministérios e a própria Presidência da República. Na pauta, a sugestão de colocação dos feriados nacionais apenas na segunda-feira, com exceção do Natal e ano-novo. Proposta que chegou a ser efetivada ao final dos anos 1980 e início dos anos 1990, mas que sucumbiu a pressões e decisões da Justiça.

“A ideia é trazermos à tona esse tema com os parlamentares federais, pois a segunda-feira no varejo é dia de menor fluxo. Na atividade industrial, pode-se começar na terça e trabalhar até o sábado, não há paralisação ou perda de rendimento. Feriados na terça, quarta, quinta, sexta-feira, esses sim são prejudiciais. Até porque retomar o desenvolvimento no País passa por superar os gargalos, como os feriados”, ressalta.

Excesso de feriados

Um opositor ferrenho ao excessivo número de feriados no País é o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Rio Grande do Sul (Sicepot-RS), Ricardo Portella Nunes. “Porque têm um impacto fortíssimo. Não se vira rico trabalhando pouco. Temos mais feriados que todo mundo e temos feriados não regulados, que viram feriados oficiais. É uma quantidade excessiva”, critica. Também diretor-presidente da Construtora Sultepa, Nunes chama a atenção para outro item nebuloso trazido pelas datas comemorativas. “Gera um custo enorme às empresas, que precisam trabalhar 24 horas por dia. Isso é muito difícil. Temos que repensar esse excesso”, defende.

R$ 1,6 bilhão em perdas só no RS

Quase R$ 180 milhões em perdas por dia útil fechado, ou R$ 1,6 bilhões anuais. Cálculo da FCDL-RS para os feriados previstos no calendário gaúcho 2018. Boa parte deles, como os na quinta e sexta-feira, de efeito desmobilizante ao setor produtivo por materializar os “feriadões”. “E esse faturamento não se recupera no outro dia. Teríamos que fazer uma promoção de nível estadual, com comunicação eficiente para trazer resultado. Mas não há fórmula pronta, não funciona assim, de fazer uma liquidação ou atividade de marketing pra poder recuperar”, pondera Koch. Lembra, ainda, que os reflexos ruins também atingem os cerca de 530 mil trabalhadores do varejo. “Prejudica também os trabalhadores, pois quanto melhor financeiramente a empresa há mais garantia no emprego, de sustentabilidade econômica no orçamento”, argumenta.

Juarez Machado/GES
Novo Hamburgo terá 13 feriados em 2018


Em Novo Hamburgo, 13 feriados

Quem mora ou trabalha em Novo Hamburgo pode preparar a agenda para os feriados de 2018. Este ano terá 13 feriados em dias de semana, sendo quatro em sextas-feiras e um num sábado, dia útil para o comércio. Apesar de uma lei municipal facultar a troca da data para uma segunda-feira, anterior ou posterior, em 2018 não haverá mudança. A Prefeitura consultou as entidades empresariais e a sugestão foi pela manutenção. Assim, Emancipação (5 de abril), Ascensão do Senhor (10 de maio) e Corpus Christi (31 de maio) serão mantidos, os três em quintas-feiras.

Para o presidente do Sindilojas, Remi Scheffler, que conversou pessoalmente com a secretária de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo, Paraskevi Bessa-Rodrigues, ter esta confirmação com antecedência é fundamental. “Há dois anos solicitamos a alteração do 5 de abril, por conta da Páscoa, com meses de antecedência e fomos atendidos pela Prefeitura só na semana que antecedeu ao feriado, causando confusão para indústrias, comércio e até profissionais liberais”, lembra Scheffler. “Com a definição ainda em 2017, todos vão poder se preparar melhor.”


Colaboraram: Susana Leite, Ilton Müller, Bruna de Oliveira e Gabriela Kirch






Diário de Cachoeirinha
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