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Cris Manfro

Desejos e necessidades

"Bons tempos aqueles em que a gente esperava ansiosa por alguma coisa"
17/12/2017 06:00

Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Creio que nunca houve tanta confusão do que hoje em dia entre o que sejam desejos e necessidade. Penso que meus pais viviam mais tranquilos e menos estressados, e, em parte, é porque eles buscavam o que era necessário para viver. Vez que outra eles adquiriam ou realizavam algum desejo. Lembro que, quando eu era criança, o máximo que eu tinha para desejar num Natal era uma bicicleta. Tinha um jargão que ficou na cabeça de muitas pessoas que dizia: “Não esqueça da minha...”! Você pode completar a frase. E, se completou, entende o que falo. Bons tempos aqueles em que a gente esperava ansiosa por alguma coisa. A espera já era uma alegria.

Essa espera por algo de desejo aumentava o grau de satisfação. Sonhávamos com algo, esperávamos por isso e, quando vinha, era uma alegria e um prazer. Hoje muitas crianças nem chegam a desejar nada, pois já têm tudo. Logo, elas têm muito mais dificuldade de terem prazer e satisfação. Quanto menos necessidades ou desejos, menos satisfação e prazer. Eu não queria estar na pele dos pais de hoje em dia, onde o apelo consumista enlouquece as pessoas. É difícil dar conta de “todos desejos”. É difícil se sentirem pais bons o bastante. Até porque existe o fator da enorme comparação feita entre as pessoas. Tem também uma geração de crianças “eu quero” com desejos ilimitados. Esse é um grande problema: desejos ilimitados.

Você nem chega a curtir o que ganhou, ou o que conquistou e alcançou, pois já tem muitas outras coisas em letreiros luminosos despertando novamente o seu desejo e o que você realizou ou conquistou já perdeu a graça. Criando uma geração de pessoas “eu quero”, estamos desenvolvendo também um funcionamento de eu quero. Onde tudo tem que ser fácil ao mesmo tempo, onde tudo se torna efêmero. Relacionamentos fast food, satisfações momentâneas, onde a verdadeira satisfação fica cada vez mais escassa.

Pela falta de oportunidade de ter desejos, porque “se tem tudo”, ou pela situação de desejos ilimitados as pessoas vão ficando cada vez mais entediadas, porque o prazer não é vivido na sua plenitude. No aqui e agora. Dessa forma se abre uma porta para a busca de prazer de outras formas como o álcool, a droga, o consumo desenfreado e a promiscuidade. Uma vida só com o necessário, sem nunca ter um desejo satisfeito é chata. É bom ter desejos e vê-los atendidos uma vez ou outra. Mas não viver no desejo. Se não voltarmos o nosso olhar e o olhar das nossas crianças para a contemplação das coisas mais simples e nelas ver alegrias e prazeres, estaremos criando um mundo difícil para se viver. Um mundo superficial, sem valorização das coisas, sem a valorização de momentos e, pior, sem valorização das pessoas.


Diário de Cachoeirinha
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