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Eugenio Paes Amorim

O lobo em pele de cordeiro

"Não surpreende quando em determinado município é surpreendido e preso por envolvimento no crime organizado um vereador"
15/10/2017 07:45

Eugenio AmorimEugenio Amorim é promotor de Justiça
epa1966@hotmail.com

O crime organizado brasileiro, embora com menos organização que em outros locais do globo, tem aos poucos buscado infiltrar-se no sistema, para, a partir dele e “legitimamente”, apodrecer ainda mais os poderes já tão comprometidos neste País.

Há notícias, especialmente do centro do País, que as grandes corporações nacionais financiam jovens acadêmicos de Direito, a fim de terem entre suas fileiras, de modo discreto e criminoso, juízes de Direito, promotores de Justiça e delegados, isso apenas como exemplo.

Dias atrás, no Tribunal do Júri de Porto Alegre, foi condenado por participação em crime de homicídio qualificado, um advogado, cujos crimes – este e outros – vinham sendo cometidos desde mesmo antes dele ingressar na faculdade de Direito. O rapaz fora inclusive estagiário da Defensoria Pública criminal e do próprio Ministério Público, e, nesta condição, ingressava em presídios, interagia com os comparsas e cumpria sua função na agremiação criminosa.

Mas é certo e seguro, também, que os grupos de tráfico de drogas estão a todo momento indicando, cooptando e financiando agentes do executivo e ainda mais especialmente no legislativo, seja federal, seja estadual e muitas vezes no municipal.

Assim, não surpreende quando em determinado município é surpreendido e preso por envolvimento no crime organizado um vereador, amigo íntimo de um dos maiores bandidos do Estado, e que está em pleno mandato.

Não surpreende para quem no exercício profissional conhece o passado criminoso de porte ilegal de armas, formação de bando armado e até suspeita de envolvimento em homicídios do agora legítimo legislador.

Também não surpreende que o Judiciário e especialmente uma Câmara Criminal já famosa pela condescendência ponham nas ruas o bandido preso pela polícia em poucas horas. Isso, infelizmente, já é fato comum em nosso País e apenas agrega à imagem deste poder perante a população.

Mas duas coisas surpreendem sobremaneira!

A primeira delas é uma Câmara de Vereadores, em omissão passível das mais cáusticas adjetivações, omitir-se em instaurar, urgente e eficientemente, um processo de cassação do mandato por falta de decoro parlamentar ou o que seja previsto nas normas pertinentes. Quem é conivente com o bandido, bandido também é!

A segunda, não diria surpreendente, mas lamentável, é a ignorância ou conivência dos eleitores, que não se informam que o lobo veste pele de cordeiro, aproxima-se dos desportistas, dos jovens – hábito dos traficantes –, fazendo-se de empresário, para, com o voto popular, legislar e atuar publicamente em favor dos criminosos seus amigos e sócios. E nos dizemos politizados aqui na província...


Diário de Cachoeirinha
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