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Caso Marta

Para Gabriel, Marta será uma foto

Marta Gonçalves, morta na Escola Luiz de Camões, iria conhecer o irmão de 18 dias no final de semana. Família prepara protesto para esta tarde

Paloma Vargas/GES-Especial
Moacir protege filho Gabriel, de apenas 18 dias de vida, e pensa em se mudar para o interior
Gabriel tem apenas 18 dias de vida. No colo do seu pai, Moacir Gonçalves, 43 anos, se sente protegido e seguro. Porém, quando ele crescer, saberá que logo que nasceu, uma tragédia abalou sua família. Sua irmã, Marta Avelhaneda Gonçalves, 14 anos, teve uma morte trágica, dentro da sala de aula da Escola Estadual Luiz de Camões, em Cachoeirinha, onde estava a apenas três dias. 

Para o menino, ela não será nem uma lembrança. Não haverá foto com Marta o segurando no colo. Isso, porque a adolescente o conheceria no final de semana posterior a sua morte, na casa onde o pai vive com a madrasta, mais um filho e a enteada, na Zona Norte de Porto Alegre.

Abalado, o pai diz que a vida dele, depois da última quarta-feira, “se tornou um caos”. Ele ainda tenta entender o que de fato correu e espera que a polícia descubra quem matou sua filha estrangulada. “A Marta era uma menina meiga. Novata na escola, nunca revidaria nada. O que fizeram com ela foi muita maldade.”

Moacir destaca que quer que se faça justiça e que os culpados sejam punidos. “Como as suspeitas são menores de idade, espero que pelo menos cumpram a pena estipulada e fiquem reclusas. Se fosse possível, acho que os pais destas adolescentes que mataram minha filha, deveriam também ser responsabilizados e punidos”, comenta. Ele ainda diz que espera que o “Estado seja responsabilizado, já que a escola é pública.”

Na tristeza, nenhum apoio psicológico ou financeiro

Marta era de família humilde. Moacir está trabalhando de pedreiro e não sabe agora, como fará para quitar as dívidas que contraiu com o funeral da filha. “Além de toda a pressão psicológica que estou vivendo, me vejo preocupado com as parcelas de um funeral que não sei como vou pagar.”

Ele revela que a mãe de Marta está muito abalada e que a irmã mais velha, de 22 anos, está sofrendo “tortura psicológica” nas redes sociais. “Ela recebe um monte de histórias que a deixam ainda pior. Os direitos humanos estão preocupados em defender as meninas que fizeram isso com a Marta, para nos ajudar, não tem ninguém. Nós tivemos nossos direitos todos violados.”

Silêncio na escola

Moacir reclama da falta de assistência da escola para com a família. “A escola vai ter que responder também. Por ser pública, quero respostas também do Estado do como isso ocorreu com a minha filha lá dentro.” Ele ainda desabafa: “a gente deixa um filho na porta da escola, por medo de violência, não o deixa ir sozinho. No final do turno, a gente vai buscar pelo mesmo motivo, e espera o pegar melhor do que o deixou, porque naquele espaço, ele deve ter aprendido alguma coisa, só que a minha filha nos foi entregue em um caixão”, diz ele, lembrando que ninguém da instituição esteve no velório ou sepultamento.

Mudança

Moacir, pai de quatro filhos, revela que a violência que bateu a sua porta, fez com que ele repensasse sua vida. “Estou pensando em levar minha família para o interior, porque essa violência não tem limite e só vai piorar.”

Com relação a atitude que levou a morte da sua filha, ele destaca que grande parte da culpa é do Estado. “Venho de uma educação severa e assim crio os meus filhos. O nosso problema é que na maioria das casas, isso não ocorre e o Estado, ao invés de ajudar os pais, os pune, caso eles sejam mais duros com as crianças. Assim, não existem limites de conduta e nem formação de caráter.”

Família fará protesto na tarde desta segunda

Amigos e familiares de Marta estão organizados e farão um protesto em frente à Escola Luiz de Camões hoje, a partir das 14 horas. Alunos das escolas estaduais Aurora Peixoto de Azevedo e Cristóvão Colombo, localizadas no bairro Sarandi, em Porto Alegre, onde a jovem morava antes de se mudar para Cachoeirinha, não terão aula para participar da ação. Ônibus serão disponibilizados para que os jovens possam participar. “Eles vão usar camisetas com o rosto de Marta para que ela não seja esquecida, mas o que queremos mesmo, é justiça”, comenta o pai da jovem, Moacir Gonçalves.

Depois de ficar fechada na quinta e sexta-feira da semana passada, nesta segunda será o primeiro dia de volta às aulas na escola onde Marta morreu. Não há informações se a instituição de ensino está organizando algum tipo de homenagem sobre o fato ocorrido.



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